quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Flores, cores e esteira-elétrica



HAJA LUZ
Quem apagou a Luz???


Flores, cores e Esteira-elétrica


Eu queria escrever um grande texto. Impactante o suficiente para considerá-lo bom. Mas sou exigente demais com aquilo que leio, e simplesmente não sei como começar um texto bom assim hoje.

Desde a última viagem a Maceió, tanta coisa mudou. Tudo muda tão rápido em minha vida que, as vezes, me perco nos processos que Deus me permite passar.

É como se eu estivesse caminhando numa esteira-elétrica, suspensa no ar, onde, a todo instante alteram a velocidade para muito mais, ou muito menos, mas jamais, constante. E, de repente, nas correrias e lentidões, me puxassem a esteira que apesar de inconstante, me servia de apoio; fazendo-me descobrir os horrores da queda-livre.

Avaliar especificamente dois meses da minha vida, Junho e Julho de 2010, me trás inspiração literária suficiente para redigir um livro, de texto ágil, imprevisível e surpreendente.

Em Maceió, fui curado das dores insuportáveis que eu sentia nos meus dois rins. Um milagre se estabeleceu em meu corpo, e já não há mais dor. Deus curou a causa da dor. De lá, voltei renovado, feliz, disposto a ver cores e flores por todo o tempo em que eu vivesse a partir dali. Mas não foi bem assim... O diabo pisou em minhas flores, jogou cinza em minhas cores. Ah! Após a cura, minha alma experimentou dores.

Uma perseguição diabólica e brutal se iniciou a meu respeito no meu trabalho. Aos 23 anos, me tornei oi coordenador de contrato mais jovem da empresa. Fui elevado de auxiliar à chefe. Fui nomeado a um cargo que muitos pensavam que iriam receber, por motivos que eu ainda desconheço. E, sem que eu pudesse recusar, (depois de sair do hospital em Dezembro de 2009), fui nomeado coordenador em janeiro de 2010, alavancando meu salário a cifras duas vezes maiores que o salário no cargo de auxiliar. De uma hora pra outra, me afastei doente, e quando voltei, voltei promovido. Mas igualmente de uma hora pra outra, me tornei o alvo dos planos dos perversos, alvo da inveja alheia.

Não tenho receio algum de dizer que, quando fui nomeado ao cargo, peguei o pior contrato da empresa, o mais problematicamente burocrático, com os funcionários mais insatisfeitos. E, ainda assim, abracei a oportunidade e dei duro para que os resultados melhorassem. Diminuí o atraso dos pagamentos, organizei os sistemas de devoluções, criei sistemas de comprovação de entrega para casos extremos, e principalmente, cativei o respeito de todos na empresa para qual prestávamos serviço. Em seis meses, fiz o que ninguém foi capaz de fazer em mais de um ano. Trabalhei pesado por resultados otimistas, suei para plantar flores naquele serviço tão complicado... E o diabo viu isso. Ah! Como eu odeio esse derrotado maldito! O meu inimigo encontrou brechas naqueles que deveriam ser meus amigos, e, infiltrado em várias vidas na sede da empresa para qual trabalho, este derrotado cheio de inveja colocou suas patas imundas no meu trabalho.

Só agora me dou conta de que confiei mais nos meus próprios braços do que na provisão do Senhor. Não vigiei meus celeiros, por considerar minha cidade forte demais. Confesso, eu facilitei a entrada deste ladrão maldito.

Pelas minhas costas, meu bom serviço era boicotado, atrasos nos prazos eram forjados, faltas inventadas, um plano digno de novelas foi tramado enquanto eu dava o melhor de mim (confiando demais na força dos meus braços).

E assim, depois de voltar tão feliz e curado de Maceió, em menos de um mês, minha vida virou de pernas pro ar.

No dia 26/07/2010 uma reunião foi marcada com o meu pai, com ordens de que eu não fosse junto, para que eu fosse informado através de recado, sobre meu desligamento da empresa. Os motivos? Citarei alguns: Incompetência, prejuízo, numero de faltas maior que numero de presenças, péssimos resultados, imaturidade, entre outros do mesmo estilo.

Tudo o que eu fiz virou lixo. Só restaram as mentiras nas quais fui envolvido. E um rombo na minha alma.
Uma das minhas tias que trabalhava no contrato em que meu pai é coordenador foi demitida para que eu não ficasse sem emprego. Uma das pessoas que mais amo no mundo, foi demitida no meu lugar. Isso doeu muito. Doeu mais do que as injurias. Eu nunca fui competitivo, nunca participei de nada que eu precisasse competir com alguém que amo. E agora, sem querer, ganhei uma competição de vaga de emprego, na qual meu próprio sangue foi prejudicado por minha causa... Ah! Como isso doeu.

De chefe, fui rebaixado ao cargo de “ajudante de auxiliar de coordenador de contrato”. Meu salário foi reduzido à 1/3 do que era. Valor menor do que era antes da tal promoção. Minha tia perdeu o emprego, e eu perdi mais da metade do meu salário, e inevitavelmente, perdi a alegria.

Sabe aqueles filmes de guerra em que o guerreiro vê sua linda cidade devastada pela destruição do inimigo? Foi assim que eu me senti.

Não satisfeitos com as alterações na velocidade da esteira-elétrica da minha vida, meus inimigos retiraram-na de debaixo dos meus pés, me fazendo cair, entregue ao desespero da dor, do fracasso, da humilhação, das mentiras, da inveja...

O diabo pisou em minhas flores, jogou cinza em minhas cores... Ah! Minha alma sentiu dores...