sexta-feira, 29 de abril de 2022

Sobre o Marley

 Eu nunca consegui parar pra escrever sobre o Marley.

Talvez não seja necessário, pois ele teve tudo de mim nos 5 anos em que eu fui seu corpo, basicamente.
Mas senti falta de ter algo sobre ele aqui. Por isso escrevo.

O Marley originalmente era pra ser da Mary, ela o comprou na feira de Caxias para ser seu cachorro quando casasse. Mas eu o roubei pra mim quando a Phoebe morreu, pois não queria que a Feia ficasse sozinha.

Mas sinceramente? Eu não era apegado a ele. Na verdade eu não me permitia, era totalmente consciente. Eu sofri demais com a Phoebe e a Feia, não ia permitir que meu coração sofresse com outra perda.

Ahh que engano besta...

Eu nunca falei abertamente sobre isso, mas eu tenho certeza que uma maldição (ou entenda como um espírito maligno), encontrou uma brecha na nossa casa, quando meu pai e sua prima de Maceió (uma piranha da minha idade que se enfiou dentro da minha casa pra ter um caso com o meu pai), tentaram se pegar aqui dentro da nossa casa. Digo tentaram porque eu tava ciente do que tava acontecendo, só não podia provar, então eu simplesmente colei na vagabunda 24h. E acho que assim eu impedi, porque ficou provado pelos emails que ela mandava pra ele que eles não conseguiram se pegar como ela planejou. Mas aquela atmosfera de traição e vulgaridade abriu uma brecha espiritual, onde o mal viu passagem.

Minha Hebe adoeceu assim que aquela prostituta foi embora. Com uma semana minha filhinha morreu. E na semana seguinte, o Marley perderia pra sempre seus movimentos, se tornando um cachorro tetraplégico, fazendo de mim o seu pai por toda a eternidade.

Eu demorei muito a perdoar aquela garota. Mas até hoje não tolero o que ela fez e causou. Pra mim ela é e sempre será NESSE CASO, uma vagabunda prostituída, um lixo humano. Ela e o meu pai. Dois lixos nessa ocasião, pessoas sem a menor dignidade ou merecimento de respeito. Se eles se arrependeram, ótimo pra eles, sejam abençoados por Deus a partir de então, mas a lembrança daquela ocasião é de duas pessoas que não mereciam nada de bom na vida.

Pois bem, o Marley pegou a tal cinomose da Hebe. E com isso minha vida mudou radicalmente.

Eu tinha meu estúdio fotográfico, tava começando a decolar na minha profissão, viaja a beça como fotógrafo, me bancava, paga aluguel, luz, iptu, contas, e sobrava grana pra mim. Vidinha linda. Mas quando o Marley ficou sem os movimentos, tivemos que decidir se sacrificava ele ou se cuidaríamos até ele melhorar.

Eu li que a cinomose costumava melhorar em 3 meses, ou matava o animal. Topei cuidar. A essa altura eu tava rendido ao meu amor por ele. Mas os 3 meses passaram, viraram anos. 5 longos anos.

Eu larguei minha profissão. Meus pais tavam começando a ter sucesso na transportadora deles,  e eles seriam muito mais capazes de bancar todo aquele tratamento que o Marley precisava (uma fortuna com remédios, fraldas, produtos de limpeza, produtos de curativo, médicos). Então eu resolvi largar tudo e ser o enfermeiro pessoal dele. Minha vida era acordar as 8, limpar ele e trocar as fraldas as 9, sentar ele as 10, brincar um pouco, fazer a fisioterapia eu mesmo, por alguns anos na bola de pilates, carrinho de locomoção que eu mesmo fiz com a Sheron, comida no almoço, algumas trocas de fralda durante o dia, estimulava até mesmo o cuzinho dele pra cagar pois ele não tinha essa movimentação, tinha que apertar... E finalmente as 23h a última troca de fraldas.

Ele não gostava de beber água, então tinha que botar com leite misturado. Ele não suportava ração pura, e nem comida de gente, então tive que me virar pra descobrir que ele amava ração com ovo mexido NA ÁGUA... Eu entendia ele, eu me comunicava com ele. Nesses 5 anos eu não vivi. Eu vivi a vida dele, debruçado nele, dedicado a ele, feliz por ter ele a cada dia. Grato a Deus por entender que ele dependia de mim assim como eu aprendi a depender de Deus.

Mas ficou chato não ter dinheiro pra nada, conforme o tempo passou, meu cuidado passou a ser visto pela família como uma obrigação, era quase uma escravidão não admitida. Então resolvi me virar e conciliar a essa agenda intensa de enfermaria, a criação do CAMELÔ DAS DELÍCIAS, minha marca de brownies que iniciei no ano 3 da doença dele. Agora minha rotina era cuidar dele, me lavar inteiro várias vezes por dia, pra poder fazer os brownies, vender, entregar, e cuidar dele, e banhar e fazer e vender e entregar... Uma rotina desesperadoramente cansativa.

Nos dois últimos anos de vida do Marley eu comecei a surtar. Enfim meus pais entenderam que eu precisava de um alívio. A empresa deles a essa altura tava as mil maravilhas, eles tinham reatado o casamento de boa, e só eu tava penalizado por aquela brecha que trouxe tanta tristeza pra essa casa. Mas enfim, contrataram pessoas que cuidaram dele das 10 da manhã as 17h de segunda a sexta. Era ótimo, pois nesse horário eu cuidava dos brownies sem precisar de tantos banhos e interrupções.

Minha vida se fundiu com a dele.

Eu não saía mais, pois as 23h em ponto ele chorava pra eu trocar a fraldinha dele. Eu não suportava estar longe dele. Eu me sacrifiquei por amor, era bom ter ele. Era bom deitar ele no meu colo e sentir que ele se sentia amado.

Mas era dilacerante ver ele tão doente, tão frágil. Nosso pai... quantas vezes quis interromper aquele sofrimento. Mas meus pais não deixavam. E eu cuidava. Se ele não podia ser aliviado com a morte, ele viveria o máximo bem, no tanto que eu pudesse proporcionar.

Engraçado que contar a história dele é falar sobre mim.

Com a Phoebe e a Feia, eu era como um filho que ficou órfão. Mas com o Marley, eu era PAI. Eu era a proteção e a vida dele. Pra ele, eu era o mais perto que ele teria de Deus. E eu deixava Deus me usar. Meu coração era curado enquanto eu me doava ali.

Eu fui humilhado de todas as formas nesse período. Parentes vinham aqui visitar a gente e olhavam com nojo pra mim e pra ele, como se estivésses fazendo algo errado (como eu odiei essas pessoas). Veterinários me escorraçaram de suas clínicas como se fôssemos duas pragas, e nenhum advogado quis me defender da vergonha que passei com ele quase morrendo numa maca improvisada na frente de uma clínica lotada de gente omissa que não disse um ai pra nos defender. 

Quanto choro eu chorei por querer que meu neném tivesse uma vida parecida com algo vivo de verdade.

Mas na moral? As pessoas não ligavam.

Não as culpo. Mas não fingia na época que era fácil. Ele era só um cachorro, mas era o meu cachorro. E eu queria ele vivo. Ele mesmo não teve pressa de morrer.

Até as 23h de 17/04/2019.

Eu terminei de fazer meus brownies e como de costume fui direto pra ele. Quando cheguei, ele tava esquisito, parecia cansado, me olhou com tanta ternura que parecia dizer: QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU, EU NÃO AGUENTO MAIS.

E ali eu tive certeza, era o fim.
Foram 5 anos que acabariam ali, e eu não queria que acabasse. Eu era feliz com ele, e de alguma forma, ele era um pouco feliz comigo também. Mas era o fim.

Corri na minha mãe e disse pra ela que eu achava que ele ia morrer.

Ligamos pro Ramon, nosso amigo veterinário. Ele correu pra imediatamente. Deu uma injeção pra ele não sentir dor, pois a barriguinha tava dura e inchada. Sentou do nosso lado (meu e do Marley), e silenciosamente esperou. Apenas disse que não ia me deixar ali sozinho.
Meia noite e meia, do dia 18/04/2019, o Marley me olhou, respirou fundo olhando fixamente nos meus olhos, puxou o ar beeem forte e nunca soltou. Ali meu coração morreu um pouquinho. Sei la, talvez tenha morrido muito, eu nunca mais fui o mesmo. Ali o sofrimento dele terminava. Ele deve ter chegado no céu correndo pra encontrar a Phoebe e a Feia. Mas eu? Eu fiquei na merda. 

Perder ele foi perder a minha vida.
5 anos adaptado a ele, o que me sobraria sem ele? Me sobrava EU.
Eu não me queria. Eu queria ele. Era melhor cuidar dele. Era mais feliz fazer ele feliz. Era mais cômodo viver os problemas dele. Ter a rotina dele. Me esconder na doença dele.

Esses 5 anos foram muito difíceis. Eu convivi com a depressão e o pânico. Com a rejeição. Com a família perto de se dissolver. Eu abri mão dos meus sonhos, dos meus projetos, eu me botei de lado. Mas quando ele morreu, eu não morri junto. E na boa, se eu pudesse escolher, eu teria escolhido morrer naquele mesmo instante. Como eu ia me reconstruir? Por onde eu ia começar?
Meus brownies eram um pretexto pra ter alguma grana enquanto cuidava dele, mas, sem ele, pra que isso continuaria?
As fotos eu entrava (e ainda hoje em 2022 eu entro) em pânico quando preciso fotografar, pois todos os problemas de traumas e traições familiares vieram durante trabalhos como fotógrafo que me geraram gatilhos com os quais até hoje não sei lidar.

Já se passaram 3 anos. E eu quase não mexi nesse assunto. Até aqui nunca consegui escrever sobre isso. E mesmo agora escrevendo, não consigo aprofundar meus sentimentos, porque dói, já chorei de gemer enquanto escrevo aqui.

Eu perdi mais do que um cachorro, eu perdi a esperança, eu cri até o ultimo minuto que Deus poderia curá-lo. E podia, Deus só não quis. E vou te contar, é muito difícil ver bondade no NÃO. Foi Deus quem cuidou de mim pessolmente igual eu cuidei do Marley. Ele foi meu corpo de pé enquanto eu tava destruído. E no absurdo da pior perda da minha vida, eu tive Deus me amando profundamente mesmo enquanto minha oração teve a pior resposta.

Eu nunca tive a chance de ter o Marley de volta pulando em mim como era no início.
Eu nunca vi ele dar alguns passinhos novamente.
Eu nunca vi a pele dele se recuperar e nascer pelos novamente.
Ele lutou por 5 anos enquanto eu me doei. E por fim, ele se foi.
E eu fiquei em pedaços.
Eu fiquei com as minhas confusões, traumas, manias, frustrações.

Já se passaram 3 anos, e eu ainda não consigo estar na rua depois das 22h, pois precisava estar em casa pra ultima troca de fraldas dele. Ficar na rua até tarde me desespera, mesmo sem ter ele pra cuidar. Mesmo eu ja tendo me mudado pra outra casa. Meu corpo e minha mente se adaptaram aquela rotina de 5 anos.
Eu ainda não consigo lembrar sem chorar, não consigo citar as coisas direito, não consigo não sofrer. Eu me tornei um pai sem filho. O buraco dentro do meu peito não cicatrizou inteiro, e eu to assustado nesse instante, pois eu deixei tanto isso pra lá que achei que tava curado, mas não. Ainda tá ferido.

Hoje eu tenho a Sônia Abrão, minha filhinha YorkShire que preenche meu dia inteiro sendo a coisinha linda do papai. Pula em mim quando chego em casa, comemora se eu voltar do portão no tempinho que fui receber uma encomenda, celebra minha companhia o dia inteiro. É UMA DELÍCIA.

Mas lá no fundo, dói a ausência do Marley e da esperança que eu tinha de que o veria curado.

Ainda dói. Ainda faz muita falta. Mas eu já consigo viver.

Minha vida mudou muito. Na verdade minha vida enfim aconteceu.
Em 2019 eu vivi.
Perdi meu grande amor que foi o Marley em Abril, e logo depois precisei encarar minha própria vida.

EU NUNCA ME DEI CONTA ATÉ DIGITAR ESSAS PALAVRAS QUE TINHA SIDO NESSA SEQUENCIA.
Eu sofri tanto, que achei que havia passado pelo menos um ano.
Não. Foram poucos meses até eu me ver e me enxergar.
Num próximo post falarei sobre mim. Como deixei ir embora uma falsa imagem de mim mesmo e aceitei me tornar EU.

Já se foram 3 anos seu meu filho... que saudade que escrever tudo isso me deu. Misericórdia.

Eu faria tudo de novo.

Eu cuidava dele tentando curtir cada minuto, pois imaginava que quando acabasse, eu ia sentir falta. Mas se eu soubesse que seria TANTA FALTA, eu tinha me doado até mais. 

Talvez um dia eu consiga falar ainda mais profundamente sobre isso, mas foi importante falar agora e me dar conta que de Deus me fez tão forte. E que a morte dele liberou a minha vida pra acontecer. Meu bichinho me salvou.

Te amarei pra sempre meu neném. Um belo dia vc me recebe pulando em mim aí no céu, e eu te apresento sua irmãzinha, a Sonia Abrão.



sexta-feira, 30 de setembro de 2016


Helena Tannure em: Chefe de VisitaReceita: Suspiro ao Creme


Oooiii amados, tudo bom com vocês?
Essa semana nosso canal tem a honra de receber minha querida amiga e pastora, Helena Tannure.

Pense numa pessoa simples... Numa pessoa que te olha nos olhos e te dá valor só porque o coração dela transborda amor... ESSA É A HELENA, E ESSE É O JOÃO LUCIO. O casal mais fofo que o mundo já viu.

Quando decidi ir pra BH, logo pensei em convidá-los pra estarem comigo no canal, e eles logo toparam. Meu coração quase pulou da caixa dos peito de tanta alegria.

O vídeo ficou muito maior que o de costume, mas juntou duas pessoas que gostam de falar, rir, conversar... Não tinha como ser curto. Mas uma coisa eu garanto, vale a pena cada minuto. Tá muito divertido, e cheio de palavras tão repletas de sabedoria, que dá vontade de ver mais.

Mas vamos parar de blá blá blá e seguir direto pra receita:



SUSPIRO AO CREME by Helena Tannure

Ingredientes:
- Suspiros (quantidade suficiente pra encher sua travessa)
- 02 Creme de Leite
- 15 colheres de sopa de Nescau Light
- 2 colheres de Amarula

Modo de Preparo:
Despeje os suspiros em sua travessa.
Em um recipiente à parte, misture 1 creme de leite com 5 colheres de sopa de nescau e 1 colher de sopa de amarula. Misture bem e coloca sobre os suspiros.
Nesse mesmo recipiente coloque a outra caixa de creme de leite com 10 colheres de sopa de nescau e mais 1 de amarula. Misture bem e coloque sobre os suspiros.
Leve à geladeira por aproximadamente 2h.
Sirva gelado e se surpreenda com tanto sabor.
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Agradecimentos:

Helena e João, vocês abencoaram demais minha vida com tanto amor e carinho. Nunca poderei ser grato o suficente, mas passarei a vida tentando. 

Renan, Tia Silvana, Tio Toninho e Aline.
Minha família mineira. Obrigado por me darem um lar. Por cada conversa. Cada comida deliciosa. Cada momento inesquecível numa família que me amou sem saber muito antes de me conhecer. AMO VOCÊS. 

Ester, o que seria de mim nesse vídeo sem você? Te olhar me deu toda segurança que eu precisava. Ter você comigo criou em mim memórias eternas, memórias só nossas.

Mãe e Pai... Vocês me incentivam a ser maior e melhor. A versão atualizada de vocês me enche de esperança de que eu posso ser melhor do que sou. Amo vocês e ainda vou encher vocês de orgulho. 

Sabrina, cada postagem minha te custa horas de acessoria. O dia que o canal tiver bastante sucesso e essa for a minha carreira profissional, eu terei orgulho de lembrar de cada vez que você chorou e sorriu comigo nas pequenas coisas da nossa vida tão comum.

Enfim, obrigado a você que veio aqui e leu tudo isso. É um prazer compartilhar minha alegria contigo.

Por favor, volte sempre. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016



Vídeo Novo no Canal (link abaixo)

MACARRÃO DE PANELA DE PRESSÃO

Ooooii amados, tudo bom com vocês?
Que tal uma receita fácil, barata, rápida, muito gostosa e que dê pra você tirar onda com as visitas?
Pois é... O camelô das delícias aqui resolveu oferecer tudo isso num macarrão só. kkkkkk

Se liga na receita e não deixa de fazer não viu?

INGREDIENTES:

1/2 Kg de Macarrão Penne/Penna
1 Sachê de Molho de Tomate
2 Colheres de Sopa de margarina
1 Caixa de Creme de Leite
200g de Presunto
200g de Queijo
Sal, pimenta e temperinhos a gosto.


MODO DE PREPARO:

Numa panela de pressão coloque o macarrão cru, a margarina, o molho de tomate, o sal, a pimenta, os temperos da sua preferência e cubra a quantidade disso tudo com água na panela. Feche bem e deixe cozinhar até pegar pressão.

Quando pegar pressão, aguarde mais 4 minutos, e, com cuidado, abra a panela.

Misture o Creme de Leite, o Presunto, o Queijo.

E está pronto.
Sirva quente. Pode deixar pra fazer em cima da hora, porque é rápido assim mesmo.

RENDIMENTO:
Alimenta de 5 pessoas com fome. 

CUSTO:
Aproximadamente R$ 20,00

Apenas faça né? E me conte como ficou.
Beijo grande, fiquem com Deus, até a próxima. ;)

sábado, 16 de julho de 2016

A Verdade sobre o X Factor Brasil



Eu já havia postado sobre isso no facebook, e fiz um breve relato no próprio vídeo do Youtube, mas resolvi comentar por aqui também, afinal, de que adianta ser um blogueiro se num atualizar o blog? kkkkkkkk

Ha meses atrás ouvi falar que a Band traria ao Brasil juntamente com a TNT, o programa THE X FACTOR. Fiquei apaixonado. Eu curti demais a edição americana. Seria um sonho estar na primeira edição Brasileira.

Imediatamente me matriculei numa aula de canto. Contei pra minha professora todas as minhas intenções e já começamos de forma intensiva as aulas e preparativos pra gravar o vídeo da inscrição, e as prováveis músicas pras audições.

Depois de muita espera, descobri que todos os inscritos seriam chamados, meu esforço pro vídeo perfeito foi em vão. Mas tudo bem, lá eu poderia mostrar meu potencial. Teria a chance de cantar 3 músicas acapela no primeiro dia, e se passasse, 3 com playback no segundo dia de audição, que aconteceria em São Paulo.

Meu Deus! SÃO PAULO!
Eu sem um real no bolso. Tenho me dedicado exaustivamente a cuidar do Marley, que desde a cinomose ficou tetraplégico e precisa de um enfermeiro de tempo integral. Como eu iria? Meu pai teria que ajudar. Mas como eu teria coragem de pedir dinheiro pra uma loucura dessas? Não sei. Apenas pedi. Meu pai não apenas quis me ajudar, como quis me levar e ficar lá comigo, e foi o melhor companheiro de viagem que eu poderia ter.

Dia 08/07/2016 fomos nós para São Paulo, de carro. Milhões de pedágios pelas estradas do caminho, mas chegamos no hotel a tempo de descansar e ir bem cedo pra audição no dia seguinte.

Aaahhh o dia seguinte... Acordei cedíssimo. Me arrumei todo bonitinho. Tava um frio de congelar pinguim. Botei um casacão do meu pai por cima e fomos nós de metrô até o Itaquerão. Que as 7:00 da manhã já estava lotado. Entrei na fila, uma fila gigantesca, como eu nunca vi igual. Um frio, mas um frio, que eu sinceramente não tava entendendo que frio era aquele. E toma-lhe a esperar...

8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 14:30 foi a hora que eu consegui passar pela primeira portaria e entrar no terreno do estádio. E foi nesse horário que durante a revista de todos os participantes, o segurança arremessou meu guarda-chuva no lixo, aos gritos de: "SE QUISER DE VOLTA REVIRA O LIXO NA SAÍDA". Que vontade de arrebentar a cara daquele bandido. Mas me segurei. Eu tava ali por uma chance muito importante. Não ia desperdiçar por causa de um babaca. O que eu realmente queria era mijar. Mas a fila era tão grande, que resolvi esperar... Quando não deu mais eu fui ao banheiro. E fiquei 1h na fila, até encontrar as 9 cabines químicas disponíveis pra todos os milhares de candidatos. Não havia manutenção. Fiz xixi em cima do xixi e cocô alheio. Um cheiro insuportável. Achei aquilo humilhante. Mas fiquei quieto.

Reencontrei os amigos que fiz na fila, ficamos todos juntos esperando nossa senha. Éramos do 2.223 em diante. E as 19:00 depois de muito frio, muito sol e muito frio de novo, com fumaça de maconha que não podíamos evitar do nosso lado, fomos chamados.

Entramos empolgados, Seríamos ouvidos. Chamariam nossa senha.
QUE NADA!!
Era uma zona lá dentro. Vc seria atendido à medida que conseguisse chegar perto da porta. Pura sobrevivência. Eu e os meninos permanecemos unidos. Passamos a famigerada porta perto das 20h.
DEMOS DE CARA COM 25 TENDAS BRANCAS. Dessas de vender refrigerante na praia sabe? Onde dentro delas tinha 2 funcionários, sabe Deus de qual especialidade, que nos ouviriam, e julgariam se depois da tortura que passamos lá fora por quase 14h em pé, expostos a frio, calor, fome, sede, necessidades fisiológicas, tumultos, cansaço e etc, enfim, se depois de tudo de ruim que experimentamos, cantaríamos o suficiente pra ouvir um sim.

Eu tava muito tranquilo. Espantosamente tranquilo.
Até que chamaram. Não uma senha. Não um de nós. MAS 3 DE NÓS.
Sim, nossa audição não seria individual como vemos na TV com os jurados do programa. Já tínhamos nos dado conta de que aquilo era uma triagem com a produção, ok. Mas uma triagem coletiva depois de toda aquela desumanidade lá fora? Ficamos todos nervosos.

Eu entrei. Bebi um copo de água. E logo me botaram pra ser o primeiro a cantar.
Cantei COMO NOSSOS PAIS, da Elis Regina.
Cantei até bonitinho, não desafinei. Mas eu tremia por dentro. Todo estresse e insegurança da vida saíram na minha voz. Toda a tortura sofrida lá fora se mostrou presente na minha voz, e antes que eu pudesse chegar no refrão, o antipático rapaz que nos ouvia me interrompeu e disse:
"-Olha, sua voz é boa, seu timbre também, mas ainda falta alguma coisa. Estuda mais, se prepara mais, e a gente se vê ano que vem tá bom? Hoje é não. Pode ir."
E assim a menina cortou minha pulseira e carimbou minha mão, pra que eu não tentasse ser ouvido por mais ninguém.
Saí daquela tenda devastado. Meus sonhos, meus projetos, minhas expectativas, tudo foi roubado pela opinião daquele antipático rapaz.
Logo após mim saiu meu amigo, também abalado, reprovado. E o terceiro menino que estava com a gente a mesma coisa. Nosso outro amigo que entrou depois de nós 3 a mesma coisa. O mesmo discurso. E nós ali, desacreditados. Tantas horas numa fila, pra ver um qualquer nos julgar sem levar em conta todo o abalo que vivemos do lado de fora expostos a tudo.

Não tínhamos onde sentar, jogavam água como se fosse capim pros bois, mas ninguém bebia, porque o banheiro tava sem condições de uso. Não tínhamos onde nos abrigar do frio. Nem do calor. Não tínhamos onde comer. Nada. Era apenas esperar calado enquanto a garganta inflamava naquele frio infeliz.

No quintal de um estádio que abrigaria todos nós. Com banheiros pra todos nós. Cantinas pra todos nós. Mas nenhuma dignidade pra nenhum de nós. Nenhuma humanidade nos foi oferecida. Éramos apenas número, volume pra Band dizer que o programa já é um sucesso. Éramos parte da farsa que é essa coisa grotesca chamada X Factor Brasil.






quarta-feira, 6 de abril de 2016

Falso Bacon - Chefe de Quintal





Oiiiiiii amados!!! Tudo bom com vocês???
Pela primeira vez resolvi postar no blog a receita do vídeo. Mas acabou que essa é provavelmente a receita mais fácil que eu já ensinei. kkkkkkkkk

Ainda assim, vamos aos detalhes:

FALSO BACON

Ingredientes:

  • Presunto Fatiado
  • Papel Toalha
  • Um potinho de plástico pra dar o formato de cestinha
Modo de Preparo:
  • Seque as fatias do presunto com o próprio papel toalha
  • Coloque uma fatia por vez, entre duas folhas de papel toalha (como se fosse o recheio de um sanduiche)
  • Una as pontas do papel de forma que o presunto fique como uma cestinha, dentro do potinho de plástico
  • Leve ao microondas por 2 minutos, retire e observe se já ficou crocante. Caso não tenha ficado, repita o processo de 30 em 30 segundos até que fique com a crocância desejada.
Acompanhamento sugerido:
  • Arroz (serve aquele da geladeira mesmo, vamos economizar)
  • Cenouras refogadas
  • Carne Moída (também aquela que sobrou de ontem, sabe?)
Mas você pode variar... Pode rechear seus bacons com ovo mexido (ideal pro café da manhã com cara de rico ahaha), frango, strogonoff, feijoada... Use a imaginação.

Uma dica:

Caso não queira comer como um prato principal, deixe apenas a folha esticada e faça o presunto normalmente em todo o processo ali em cima. Depois disso, quando ele estiver bem crocante, quebre-o com as mãos mesmo, e coloque em cima da salada de alface. É uma explosão de saber na sua boca.

Espero que tenham gostado e que continuem acompanhando o nosso canal.
Aqui no blog tem vários textos meus, eu preferi não apagá-los... Pelo contrário, sempre que der voltarei a escrever por aqui. Se quiserem, leiam e comentem ok?

Beijo grande a todos, até a próxima.

(link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=3psFLjlmt8E)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014 – Ano da Restituição


Quando 2013 estava perto de chegar ao fim, meu coração estava no limite. Que ano horrível quantos acontecimentos sofríveis, quanta expectativa pra que acabasse logo... 2013 se foi e foi tarde. Kkkkkkkk. Ele se foi pra dar lugar a 2014, ano que eu decretei pra mim mesmo, seria o ano da RESTITUIÇÃO.
2014 começou na raça... Os acontecimentos não foram tão bondosos assim, mas um pouquinho de fé, outro pouquinho de insistência, e tcharaann!!! 2014 ainda em Janeiro se tornou um dos melhores anos da minha vida.
Tantas surpresas, tantas conquistas, tantas viagens, tantos trabalhos legais, tanto reconhecimento, tanta benção, tanta união, tanto de Deus que toda minha gratidão não seria o suficiente.
Eu poderia listar mês a mês o quanto Deus se revelou neste ano. E o farei:

Janeiro: toda dor de 2013 foi curada no dia do meu aniversário, onde ganhei uma festa surpresa incrível, e a presença do meu melhor amigo, que veio se despedir antes de se mudar pra Austrália. Só a presença dele, que interrompeu as férias (nos últimos dias com a própria família antes de se mudar), e em vez de voltar pra BH veio pro RJ pra me surpreender, seria suficiente pra eu dizer que todo o ano de 2014 foi excelente. Deus se revelou como alguém que se importa com os detalhes da minha vida. Um Deus presente, um Deus que tem um rio de esperança para cada lágrima que rolou.

Fevereiro: Mais uma vez Deus caprichou nos detalhes. Minha irmã completou 30 anos, e meu maior desejo pra essa idade dela, era uma comemoração inesquecível. Pois bem, tivemos essa comemoração. Passamos o aniversário dela num cruzeiro lindíssimo, com direito a bolo surpresa no jantar de gala. Dias divertidos, de paz e união em nossa família. Pra muitos algo que passaria batido, pra mim, mais uma oração que se tornou real. A alegria da minha única irmã numa data especial.

Março: O que era pra ser apenas mais uma pequena viagem em família se tornou minha primeira viagem a trabalho, com direito a clientes agendados antes mesmo de eu chegar à cidade. Em Maceió, um dos lugares que eu mais amo no mundo, eu tive a honra de fotografar pessoas que Deus não me deu apenas como clientes, mas sim, amigos. Enquanto minha família passeava, eu trabalhava, e fazia o nome do meu estúdio conhecido. Graças aos amigos/pastores de lá, vivi a realização de um sonho que eu tinha desde a 7ª série: viajar trabalhando. Deus é fiel e não se esquece dos sonhos que a gente até esquece que um dia sonhou.

Abril: Vi meu amigo realizar o sonho de ir ao Congresso do DT, e nesse mesmo congresso fui tão sacodido por Deus a respeito de uma vida de oração e leitura bíblica. Nesse mesmo congresso, vi meu amado Pr. Neto ser honrado diante do Brasil inteiro, levando o Sertão ao coração de cada pessoa naquela multidão. Por causa desse congresso, ainda, conheci um novo amigo a quem rapidamente aprendi a amar, e desde então compartilho de um jejum sem Coca-Cola até o grande dia do seu casamento, agora em Janeiro. Nunca mais comeremos pernil sem lembrar um do outro. Um Deus de alianças se alegra quando seus filhos se unem. A benção de Deus é derramada quando no coração de Deus irmãos se unem e caminham juntos na mesma visão.

Maio: Voltei a Maceió (no meio de um jejum de 40 dias, que eu achava ser exclusivamente pelo ConfraJovem que eu queria ir, mas não tinha condições, no mês seguinte), dessa vez crendo que seria unicamente a trabalho, o que já era incrível. Eu do RJ ser requisitado em Maceió. Mas não. Deus não apenas me deu clientes, não apenas me deu novos amigos, não apenas fortaleceu laços com os meus amigos pastores, não apenas me hospedou na casa do pessoal que eu mais amo , não... Deus me levou lá com um propósito e uma missão, pisar na terra dos meus antepassados e quebrar a maldição que havia sobre nós há tantos e tantos anos. Sinais de confirmação, visões espirituais de exércitos de anjos inundando a cidade, e uma oração em família, com todas as gerações vivas representadas presentes... Eu vivi algo sobrenatural, que por muitos anos dará frutos. Saiu a semente da maldição e arrancamos sua árvore pela raiz. Plantamos a semente da misericórdia de Deus e saímos daquela oração com a certeza da presença do Espírito Santo regando a terra da nossa fé. Gerações futuras vão ver: a maldição pode ter durado por algumas gerações, mas a misericórdia DURA PARA SEMPRE. O poder e o amor de Deus fizeram isso.

Junho: Eu já tinha desistido de ir ao ConfraJovem (mas não de jejuar 40 dias pelo evento), quando minha amiga líder da caravana em que eu sempre vou, me chamou não apenas pra ir, mas pra liderar o ônibus com a galera. 40 jovens, que na maioria eu nem conhecia, hospedados num convento de freiras, vivendo dias de avivamento que nunca mais esqueceremos. Os desconhecidos se tornaram meus amigos, amigos mesmo! Todas as dificuldades do evento se transformaram em milagres, os pedidos mais absurdos foram atendidos, a glória de Deus nos visitou, por tantos momentos não podíamos nem ao menos ficar de pé. Deus se revelou a nós como alguém real demais. Se éramos 39 jovens no evento, Deus era o nº 40. Mais real do que qualquer um de nós. Ele mesmo supriu nossas necessidades, nos fez plenamente satisfeitos mesmo quando algo ameaçava nos frustrar. E eu particularmente, vi que Deus é capaz de juntar 39 jovens dentro de um ônibus, mesmo que eles quisessem assistir ao show que os levou até o evento, só porque eu pedi no nome dEle. Saímos do convento de freiras sendo citados por elas como o melhor grupo que já se hospedou naquele lugar, saímos ouvindo que deixaríamos saudades. Deus é fiel, sua presença se revela nos lugares mais improváveis, das maneiras mais criativas, pra que seus filhos se sintam seguros.

Julho: Tudo que já havia sido tão bom, poderia ser tido como NADA perto do que eu vivi em Julho. Minha mãe me presenteou com minha inscrição e todos os custos imagináveis para o Moriá, na Estância Paraíso. Eu achava que seria bom, mas eu estava errado. Não consigo pensar num adjetivo para descrever. Eu morri e nasci de novo. Eu enfim tive um encontro pessoal com Deus. Eu não era mais um seguidor de Cristo, imitador, servo, nada disso. Ali eu me tornei filho. Melhor, porque talvez eu até já fosse filho, mas ali Deus se tornou MEU PAI. Eu consegui falar tudo pra Deus, até minhas expectativas frustradas a respeito dEle, e saí de lá embalado no colo de Deus. O Deus que sempre foi meu amigo, se tornou meu PAI. Pra muitos uma coisa simples, pra mim foi a salvação da minha vida, um sentido pra minha história. Todos os traumas, dores, pecados, vícios; todas as prisões das quais eu não conseguia mais nem ao menos me imaginar livre, simplesmente deixaram de existir. Tudo deu lugar ao amor do meu Deus Pai. Claro, ainda sou um pecador sujeito a todas as podridões do mundo, com uma única diferença, eu tenho um pai em quem eu confio, pra quem eu posso correr quando me distraio e me sujo demais pra conseguir me limpar sozinho. Eu não preciso mais me cuidar sozinho, eu tenho um Pai. Eu não preciso mais me preocupar com o futuro, meu Pai já cuidou dele pra mim. Eu não tenho falta de nada, meu Pai supre sozinho todas as coisas. Ainda consigo ouvir o som daquela doce voz me dizendo: “Você é o meu filho, meu campeão. O Pai te ama filho. Abre os olhos, vê aí... tudo que te faltou eu trouxe. O Pai trouxe seus presentes filho. O pai te ama. O PAI TE AMA!!!” . E eu também te amo Pai. Nunca mais vou viver um dia sem o senhor aqui. Eu te amo.

Agosto: Deus me deu uma filhotinha pra amar. Eu a chamei de Hebe Camargo, a minha gracinha. Ela chegou pra crescer e ser a companheira do Marley. Eu que havia me prometido que nunca mais me envolveria com cachorro nenhum porque sofro demais quando alguma coisa acontece com eles, já estava há séculos apaixonado pelo Marley, meu grande filhotão, amor da minha vida, e me vi completamente apaixonado por essa bebezinha que olhava no fundo dos meus olhos e se sentia segura. Todos os dias eu tinha prazer em ser seu pai, limpar suas sujeiras, dar comidinha, botar pra brincar com o Marley, tirar mil fotos por dia e encher as redes sociais com sua carinha linda. Meu Pai Deus restituiu minha capacidade de amar um bichinho sem medo. E me deu a princesinha mais linda que o mundo já viu.

Setembro: A Hebe que chegou parecendo estar doentinha, se recuperou, ficou esperta, brabinha que era a coisa mais linda. O Marley aceitou a nova irmã, que viria a ser sua esposa no futuro sem nenhum tipo de resistência. Tava tudo perfeito. Meu pai fez aniversário, conseguimos fazer uma festa surpresa pra ele. Tão simples, mas significou tanto pra mim, homenagear meu pai, mostrar amor. Detalhes... Meu mundo seguia regido por um Deus que se importa com as pequenas coisas.
Então depois de 9 meses de um ano sem negativos a serem citados, o mar se agitou, as águas deixaram de ser tranquilas e se tornaram em ondas maiores do que eu. As nuvens chegaram antes que eu pudesse me preparar, e a tempestade teve início, sem previsão de fim. Mas por 09 meses, Deus treinou minha fé. Agora era a hora de coloca-la em ação. Deixa de ser um relato de dias perfeitos, para ser um relato de vitórias no meio da batalha. Não fui livre de ir pra fornalha, mas dentro da fornalha, as correntes foram rompidas, e os meus olhos começaram a enxergar lá longe: DEUS PERMANECE COMIGO MESMO NO FOGO. Quando o mar ficou agitado demais, Deus estava lá, e como diz a Palavra: “Mas o SENHOR nas alturas é mais poderoso do que o ruído das grandes águas e do que as grandes ondas do mar. Salmos 93:4"

Outubro: No dia 01 mais uma vez se confirmou uma viagem a trabalho, dessa vez pra Paulo Afonso, na Bahia, pra fotografar o aniversário da criança que eu mais queria conhecer, filha dos meus amigos de quem eu tava morrendo de saudades. Eles confirmaram minhas passagens, e eu fui. De quebra, passei em Salvador, revi meu irmão baiano, poucas horas que puderam aliviar a saudade que ele me causa, e cheguei a Paulo Afonso. Revi minha tia que eu amo tão apaixonadamente, meu Deus do céu, como eu queria morar perto dela. Revi minhas primas, meus amigos, fotografei a festa, as crianças, fiz novos trabalhos que eu nunca tinha feito. Tudo perfeito, como havia sido todo o resto do ano. Até que o telefone toca... Minha Hebe estava muito doente. Eu havia deixado ela tão bem em casa, saí com ela mordendo minha perna, tentando me impedir de sair. De repente, antes que eu pudesse estar em casa, do nada ela ficou tão mal, que a qualquer momento poderia morrer. Meu coração por um breve momento parece que parou. Uma dor tão grande invadiu meu peito que a única coisa que pude fazer foi colocar um tênis e correr... Corri orando aos gritos, implorando pelo socorro de um Deus que eu tenho certeza que se importa comigo. Orei, gritei, batalhei contra as forças das trevas, enquanto corria. Voltei pra casa, desabei a chorar e contei os segundos para chegar à minha casa e cuidar da minha princesinha. O diagnóstico foi cruel demais: CINOMOSE. Uma doença maldita que não conhecíamos, apenas de ouvir falar. Ela tão bebezinha não tava com as vacinas completas ainda por conta da idade mesmo, acabou ficando vulnerável demais. Cheguei em casa na manhã de uma quarta-feira. Me deparei com a minha filha de pelos deitada numa caixa, internada dentro de casa, no soro, desacordada. Nesse dia ela teve mais de 15 convulsões. Cada convulsão era como uma tortura para seu corpinho tão frágil. Quanto desespero eu senti, meu Deus. Minha pequena filhotinha sofria as consequências de uma doença muito mais forte do que ela. Mas madrugada do dia seguinte, o sofrimento dela acabou. De uma vez por todas. Deus achou melhor levar a Hebe, e eu tive que decidir o que eu ia sentir a partir de então: frustração ou gratidão. Optei pela gratidão. Somente um Deus muito bom se importaria de colocar essa pequena princesinha peluda numa família que a cobriria de amor até seu último suspiro. Se sua vida havia sido destinada a apenas 3 meses, nós tivemos a sorte de passar esses 3 meses com ela, recebendo tanto amor, dando tanto amor. Sua vida se encerrou em amor. O amor de Deus foi mais forte que a Cinomose. Por mais que pra sempre eu sinta saudades, e por vezes lamente os planos e sonhos que nunca poderão se cumprir, eu tenho uma certeza: Deus nos escolheu pra cuidar dela, e escolheu ela pra me ensinar a ter fé e amar sem medo. Mais uma vez, a morte não ganhou nada. Deus venceu com amor. No meio do mês tive a honra de participar de um Seminário do Pr. Lucinho, trabalhando, e participar da conquista de 1.200 almas pro Reino dos céus. Além disso, dei uma entrevista com meu testemunho de libertação da depressão pro programa dele, o Brasil inteiro viu. Deus é bom. No ultimo dia de outubro, uma nova batalha, o Marley começou a dar sinais de que tinha pegado a mesma doença maldita. Se tudo o que me cabia era ter fé, então é em fé que eu vou viver.

Novembro: O primeiro dia de novembro começou tenso, no dia anterior o Marley teve uma crise convulsiva, me mordeu, ficou estranho demais... vários diagnósticos foram dados, até que muito tempo depois se confirmou: o Marley também estava com Cinomose. Nosso xodó, o caçula dos meus pais, o cachorro que contrariou minha promessa e fez eu me apegar a ele na marra mesmo. Nenhum exame acusava nada, apenas os sintomas visíveis. Quanto sofrimento em nosso coração meu Deus. Mas quanta fé experimentada por causa disso. Se é na fraqueza que o poder de Deus se aperfeiçoa, começamos a experimentar esse aperfeiçoamento. Enquanto o Marley estava expondo as sequelas dessa doença, Deus supriu nossas necessidades e nos surpreendeu mostrando que a vida é muito mais do que acontecimentos ruins. Meu amado Pr. Neto veio pregar em minha igreja, se hospedou em minha casa, cativou os meus pais, fortaleceu e eternizou a nossa amizade e o meu amor pelo Sertão. Minha igreja foi incendiada de amor por Missões. Meu pai prometeu que iria lá no Sertão na casa do Pr. Neto, e no fim do mês mesmo ele cumpriu. Fomos nós dois na nossa primeira viagem sozinhos, pai e filho, pros lugares que eu mais amo no mundo: Paulo Afonso e São José Belmonte. Revi minha tia linda, minhas crianças gostosas, fotografei o aniversário do meu priminho, revi os parentes de Maceió que eu amo tanto, fomos pro Sertão, conheci pessoas incríveis, vi o amor de Deus realizando meu sonho de voltar lá com o meu pai, vi meu pai fazendo alianças com as pessoas que eu mais admiro. Fotografei lugares incríveis... Tudo perfeito. Mas o telefone tocou de novo. Dessa vez pra informar que o Marley tinha parado de andar. Enquanto eu tava fora, ele não levantou mais, começou a fazer suas necessidades deitado mesmo. Mas não perdeu a consciência e nem teve nenhuma convulsão, na verdade em todo o processo só teve 4, pra glória de Deus e não terá mais nenhuma em nome de Jesus! Voltei pra casa angustiado por minha mãe estar cuidando dele sozinha, mas no meio do caminho, descobri que minha tia-irmã tava aqui ajudando ela, iniciando um tempo de comunhão entre nós que eu mal podia imaginar. O Marley passou a ser nosso paciente, e nós, os seus médicos e enfermeiros. E Deus que já era meu pai, meu amigo, meu provedor, passou a ser também meu confidente, meu médico, meu guia para assuntos desconhecidos, o chão onde sustento meu corpo, o ar que eu respiro, Deus se revelou como TUDO.

Dezembro: Desde outubro, o Marley vem me ensinando o que é entregar a vida pra alguém. Ele entregou a dele para nós cuidarmos. Deus me pediu que fizesse o mesmo, e eu tenho feito. Todos os dias é uma luta, e todos os dias uma vitória. Meu negão segue melhorando, e mesmo no pior dia quando eu lutei em oração contra a morte e o inferno, que fizeram ele piorar muito e passar muito mal ficando tão mole e quase sem vida, eu vi Deus. Orei como nunca tinha orado até então, e de uma vez por todas eu entreguei tudo a Deus. Eu não poderia mais suportar 5 segundos, o que dizer mais um dia. E Deus veio. Me abraçou, curou a dor da minha alma, e mostrou que na minha total irrelevância diante das dificuldades que eu enfrento todos os dias, Ele é comigo. No meio do mês, meu primo, que é o xodó da família toda, com 14 anos, sofreu um grave acidente, entrou em coma, e mais uma vez, minha fé foi forçada ao limite, e mais uma vez vi Deus agir, pois meu primo acordou, não perdeu movimento nenhum, já está em casa se recuperando e vivendo as delicias de ser um milagre vivo. O Marley ainda está sem andar, ainda está usando fraldas, ainda precisa de minha mãe e eu para absolutamente tudo, sua vida ainda depende de nós, mas enquanto isso, nossa vida depende de Deus. Todos os nossos horários e dias foram ocupados com os cuidados ao nosso bebezão gigante. Poucas pessoas entendem tanta doação a um cachorro. Mas seguramente eu digo que esse simples cachorrinho me deu mais amor do que todas as pessoas juntas que criticariam nossa doação a ele. Deus tem tratado nossa alma no profundo, enquanto vemos todos os dias um pequeno avanço no nosso grande valente. Não podemos pedir oração a todos os nossos conhecidos, por isso decidimos enfrentar isso na intimidade. Nossas emoções estão afloradas, estamos a flor da pele, não teríamos condições de suportar críticas ou afrontas por causa do nosso amor. Mas ao calar e viver na dependência de Deus, temos recebido de Deus um amor nunca antes experimentado, provisão para cada uma de nossas necessidades, curas diárias, tanto no Marley como em nós mesmos. Nossa família tem se unido. Nossos conhecimentos foram elevados. E mesmo tendo certeza que Deus calou todos os médicos, porque NENHUM nos ajuda, os dois veterinários a quem sempre recorremos abandonaram o caso, não atendem nossas ligações, enfim, apesar de aparente solidão no meio da batalha, vemos Deus nos guiar. É o deserto da vida. E o deserto é temporário. Pro Cristão, o deserto é uma escola, e Deus tem nos ensinado demais. Esse ano termina sendo o melhor ano da minha vida. Experimentei dores e perdas que no natural eu não poderia suportar. Há alguns anos eu estaria perdido, sem esperança, lamentando enquanto andava sem rumo pela tristeza que já teria me aprisionado. Mas os planos do meu Pai Deus foram diferentes. Ele fez eu nascer de novo. Por 09 meses exatos, estive numa gestação, que me preparou para a vida que viria. Por nove meses estive seguro, confortável, feliz e muito bem servido. Mas chegou a hora das dores de parto. E olha, que trabalho de parto demorado. Mas é apenas a dor de um parto pra um ano ainda melhor. Se houve dor e perda, houve muito mais refrigério e consolo direto do próprio Deus. Se nesses últimos três meses amigos a quem eu tanto amava e com quem tanto contava me viraram as costas me deixando com a certeza que só estariam presentes nos bons momentos, Deus permanece fiel em TODOS OS MOMENTOS, e revela amigos que permanecem fiéis até mesmo na hora de chorar junto. Se houve traição e decepção, Deus mostrou muito mais fidelidade e surpresas no meio do deserto. Deus fez de 2014 um ano inesquecível. No meio de um deserto tão difícil, nos guiou no meio do impossível, Ele foi o próprio remédio pra cada dor. Deus separou esse ano pra iniciar uma nova vida. E que vida! Que comece a nova vida então. Um novo ano, novos desafios, novas bênçãos, novos sonhos, novas realizações. O Marley certamente vai voltar a andar, ele está melhorando, só está doente AINDA. O deserto vai acabar. A vida nova vai realmente nascer e toda a dor desse parto tão difícil vai dar lugar a alegria de uma vida linda que se inicia.

Eu te agradeço Deus por estar comigo. Te ganhei como Pai, e nada nessa vida é maior do que isso. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer. O Senhor é o Sol da minha vida, não tem noite que dure quando o Senhor chega!

Eu te amo e te agradeço, por cada momento. Foi uma grande aventura até aqui, mas ainda melhor vai ser o ano que começa agora.

Eu te agradeço por toda restituição que eu vivi. Ganhei de volta a fé, a vida de oração, a vida de leitura bíblica, a paixão pelo Espírito Santo, a pureza que a vida havia me roubado, o coração de criança que eu tanto amava ter. O Senhor me devolveu tudo que o diabo roubou. E deu muito mais do que eu poderia ter pedido ou imaginado.

De tudo o que eu sonhei e ainda não vi realizado, o Senhor me deu uma certeza: Nenhuma promessa tua deixará de se cumprir. Se não ganhei a realização, o Senhor me deu de presente a esperança.

2015 SEJA ABENÇOADO. Deus já te alcançou e te reconfigurou pra ser ainda melhor do que tudo que eu já vivi. Maior do que a maldição é a misericórdia!

2015: ANO DE REFRIGÉRIO

Separei essa foto, de Julho, no Moriá, porque esses dias lá mudaram toda a minha vida, e me deram forças pra viver qualquer situação que vier. Eu ganhei Deus como Pai, isso foi o grande ponto alto de um ano inteiro de pontos altos. Nela tem o quarto em que eu dormi e vi Deus falar comigo no dia do silêncio, o sino que anunciava o inicio dos cultos onde eu recebia tanta coisa de Deus, a mensagem que nos recebe na Estância, o grupo que ficou comigo, o canto onde chorei, o caminho por onde eu ia de madrugada até a árvore onde Deus falava diretamente comigo. Dias incríveis. Pra uma vida incrível.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Minha Gracinha na Eternidade

Por tão pouco tempo minha bebezinha esteve nessa casa, e nesse instante ao receber a notícia de que sua vida teve fim, tudo parece fora do lugar.

Ha dois meses e meio estávamos tão preocupados com a solidão do Marley que decidimos ter uma fêmea pra acompanhá-lo. Compramos a Hebe pra ser a esposa dele.

Hebe Camargo foi o nome que eu escolhi pra ela. Linda, meiga, tão frágil. Já chegou dona do nosso amor. Nos conquistou no primeiro olhar.

Eu particularmente me apeguei no mesmo instante em que a vi. A adotei como minha filha. Dei a Hebe o meu amor, meu carinho, meu tempo, minha atenção. Tratei essa filhotinha como meu bebê. Minhas redes sociais mais parecem pertencer a ela, por tantas fotos e vídeos. Meu celular poderia se chamar Hebe-2. Eu enfim havia me apegado sem medo, desde que a Feia se foi.

Logo ela começou a crescer, aprendeu a morder, corria atrás de mim e de qualquer coisa que se movesse. Morria de medo do som da vassoura caindo no chão. Era um bebezinho. Minha bebezinha linda.

Até que essa semana, uma doença maldita chamada Cinomose entrou em nossa história. Eu na Bahia e ela aqui sofrendo os horrores dessa tortura.

Meu Deus... como eu entrei em desespero quando soube. Sai correndo pela cidade, literalmente correndo, chorando, gritando a dor da minha alma. Meu bebê estava sofrendo e eu não estava em casa pra cuidar dela. Desde então, mesmo que eu estivesse longe, minha mente e coração estavam aqui em casa voltados pra ela.

Ontem cheguei em casa, apavorado por vê-la em coma, medicada, tendo convulsões atrás de convulsões. Tudo perdeu o sentido. Ela era apenas um bebê sofrendo como nunca imaginei que um bebê pudesse sofrer. Ela era o meu bebê sofrendo como eu nunca imaginei.

Tive que silenciar meu choro, achar forças em Deus para ficar do lado dela e cuidar com amor de sua vidinha debilitada. Me fiz de forte, encontrei esperanças numa avalanche de desespero. Minha mãe e eu só tínhamos uma opção: lutar pela vida da Hebe. Ainda que custasse nosso dinheiro, nosso tempo, nosso esforço. Lutariamos por ela o tempo todo.

Mas todo o tempo só durou mais algumas horas. Ha poucos minutos minha bebezinha se foi. Levando consigo parte do meu coração. Deixando no meu peito um vazio tão grande que eu nem sabia mais que existia. Não chorei até esse desabafo. Não assimilei ainda o nunca mais. Não parece real que tenha sido o fim.

Deus me deu e Ele mesmo tomou.
Deus guiou nossas vidas até a Hebe e decidiu que seria apenas até hoje. E apesar de toda a dor e desesperança que sinto, BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR. Sua bondade se prova quando encerra o sofrimento de alguém tão frágil. Tenho certeza que em Seus braços ela agora respira segura. Longe da dor, longe do medo, longe da aflição de uma doença que roubou de mim a minha filhotinha. A minha bebezinha.

Eu não sei ainda o que estou sentindo.
Sei que dói. Sei que tem um rombo no meu coração. Sei que tudo parece sem cor. A alegria está triste. O som emudeceu. A eternidade levou para Si mais um dos meus tesouros. E eu vou ter que aprender a seguir em frente.

Por tão pouco tempo a Hebe esteve comigo. Ainda assim, esperarei ate meu último suspiro pra saber se os cachorros vão pro céu, pois se forem, lá eu terei a chance de reencontrar a Phoebe, a Feia e a Hebe. E aí sim, os pedaços do meu coração voltarão a seu lugar e eu poderei sorrir seguro sabendo que nunca mais viverei a dor de um Adeus tão triste.

Te amo bebezinha. Isso tudo ainda não parece real. :(

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A Eternidade Passou Para Minha Melhor Amiga


Difícil falar algo quando se perde alguém amado. Mas eu vou me esforçar, pois ela sempre mereceu isso.

Quando eu tinha aproximadamente 11 anos, minha mãe chegou da loja de material de construções que a gente tinha toda animada, me contando:
-Paulo! Você precisa ver a cachorrinha que apareceu lá na loja. Desse tamaninho Paulo (indicando com os dedos algo aproximado a uma mão adulta), mas olha, ela é braba viu? A gente chegou pra abrir a loja tava aquele tiquinho de cachorro latindo que nem um cachorrão guardando a loja, querendo impedir a gente de entrar. Tadinha, tão magrinha, é um bebê ainda, não sei como tiveram coragem de abandonar ela no lixo assim. Agora já viu né, vou acabar cuidando dela.
Eu não aguentei de curiosidade, no dia seguinte peguei um ônibus e fui até a loja conhecer a nova guardiã do pedaço. Realmente, um tiquinho de cachorro, toda afetada por uma doença de pele que lhe arrancou todos os pêlos, magra, couro e osso. Feia coitada, muito pequenininha e feia.
Minha mãe me perguntou o que eu e minha irmã achávamos de levar ela pra nossa casa, pra cuidar melhor dela.
Eu confesso que fiquei meio receoso, pois tinhamos na época uma Beagle chamada Bela, desde que chegou em nossa casa nunca teve contato com outro animal, tive medo dela abocanhar a pequenininha. Mas minha irmã e minha mãe decidiram e eu concordei, "vamos levá-la pra casa".
-Ela precisa de um nome - Disse minha mãe.
-Feia - Eu respondi.
-Mas Feia? Tadinha... Retrucou minha mãe.
-Mas quando ela ficar bonita vai ser carinhoso... deixa vai. Insisti.
-Tudo bem, o nome dela vai ser Feia, até porque a bichinha é feia viu. Concluiu minha mãe.
Levamos ela pra casa e pra nossa surpresa, a Bela ao invés de estranhar a nova companheira de quintal, ficou apavorada e evitava a filhotinha como diabo evita a cruz. kkkkkkkkkkk Era muito engraçado. Mas com o passar dos dias, elas foram se adaptando uma a outra, e eu não preciso dizer que era louco pelas duas né? Pois o tempo passou, as duas cresceram, a Feia se tornou uma linda vira-lata de pêlo amarelo, loirinha. A Bela com suas longas orelhas era a coisa mais fofa do mundo. Até que as duas ficaram mocinhas... ahahaha... entraram no cio. E um cachorro muito do vadio pulou nosso muro e pegou a Feia. A Bela, não lembro porque, não cruzou. Mas a Feia sim. E como era de se esperar, minha jovem cachorra virou mãe. Ah que belo momento, eu fiquei feliz, os filhotinhos dela era puros vira-latas.
Mas o tempo como sempre, passou. E chegou a hora de dar os filhotinhos, pois não poderíamos criar todos eles, estávamos começando a passar uma fase financeira muito difícil lá em casa. Meus pais deram os filhotes. E a Feia ficou inconsolável por dias, no cantinho da area de serviço, onde era seu ninho. E eu fiquei lá com ela. Todo tempo livre que eu tinha, eu ia pra lá acompanhar seu luto, sua tristeza. Acho que ali nasceu nossa amizade, ela percebeu que eu sofria por ela, e eu tive certeza, ela seria leal a mim até o final.
Uma crise muito grande se estabeleceu em nossa casa, tivemos que devolver a casa na qual morávamos de aluguel, a loja faliu, precisamos ir morar de favor na casa da minha avó materna. E levamos junto a Bela e a Feia. Mas a casa era muito apertada pra novos moradores.. Já tinha minha vó e minha tia, agora mais 4 humanos e 2 cachorros... Ficou difícil, minha vó implicava muito com o fato delas fazerem cocô na varanda, os latidos pela madrugada, as brincadeiras com garrafa na hora de dormir, tudo incomodava. Então, minha mãe, numa decisão muito difícil resolveu dar a Bela para uma moça que ela havia conhecido. Só poderíamos criar uma. A Feia ficou. Ela era mais educada. Como eu sofri naqueles dias, como odiei minha avó por ter provocado aquilo. Chorei. Por dias, nós já havíamos perdido tudo. Casa, dinheiro, amigos, escola, igreja, eu morava de favor num lugar estranho, com pessoas difíceis de lidar, e ainda assim, perdi minha Belinha. Era uma dor forte demais pra um menino de 13 anos. E uma dor forte demais pra uma cachorrinha de 2. Mas então, a Feia consolou a minha irmã e a mim. Ela sentiu muito a ausencia da Bela, mas aguentou firme, e ficou do nosso lado apaixonadamente, até que pudéssemos sarar daquela dor.
Pouco tempo depois, as dívidas eram tão grandes, que meu pai acabou preso. Nosso fundo do poço era feito de areia movediça. A vida se encarregava de afundar mais a nossa força de viver. E adivinha quem vinha ao meu pescoço enquanto eu chorava escondido no final da escada... Sim, a Feia. Eu abraçava seu corpinho esbelto e chorava, tudo que eu tentava esconder dos outros, pois já sofriamos demais pra alguem ter q sofrer por minha causa. Só a Feia era forte o suficiente, na minha cabeça.
O tempo não parou, meus pais se separaram, e lá estava minha cachorrinha cuidando das minhas lágrimas e da minha irmã. As coisas melhoraram um pouco, conseguimos construir nossa própria casa, agora a Feia tinha seu próprio quintal, onde ninguém no mundo poderia reclamar das brincadeiras barulhentas dela, onde ela seria livre. E assim foi. Ela era feliz lá. Mas Deus estava cuidando de tudo, conseguimos comprar de volta uma casa na qual moramos quando eu tinha dos meus 3 aos 7 anos. E com a notícia da compra da casa, meus pais decidiram: PRECISAMOS DE MAIS UM CACHORRO, O QUINTAL LÁ É GRANDE DEMAIS PRA FEIA CUIDAR SOZINHA. Então, com a notícia de que a cachorra do meu tio Riston havia parido 14 filhotinhos, Dog Alemão da melhor qualidade, fomos lá escolher uma nova companheira para a Feia. Escolhemos a mais bagunceira, a maior, a mais agitada e linda entre todos os filhotes, a qual eu chamei de Phoebe. Por causa do seriado Friends. E com um mês, trouxemos a Phoebe pra casa. Ansiosos pela reação da Feia. Ahhh meu amigo, a Feia odiou a idéia de uma filhote atazanando seu juízo. Então, todos os dias fazíamos pequenos momentos de adaptação entre as duas madames. Até que finalmente, numa noite, deixamos as duas dormirem juntas lá fora. PRA QUÊ? A Feia se irritou com a infancia exagerada da Phoebe, mas meteu-lhe o cacete. kkkkkkk. Não pra machucar, mas pra ensinar. Então deixamos. E assim a Feia educou a Phoebe à sua maneira. Ela era a mãe da Phoebe, tudo que a Phoebe sabia na vida, foi a Feia que ensinou. Era muito bonitinho de ver.
Com os meses, finalmente mudamos de volta pra Sepetiba, nosso lar prometido por Deus. A Phoebe foi num carro com minha irmã, e a Feia foi comigo. A essa altura nós já eramos completamente apegados e apaixonados um pelo outro. Então, finalmente chegamos aqui em casa, soltamos as duas no quintal. Elas ficaram loucas com todo o espaço disponível pra elas, correram como nunca haviam corrido na vida, eu me emocionei. Até que a Feia, ingênua como só ela, foi andar na área da piscina, caminhou, subiu os degraus e foi em direção a beirada. Nós ficamos observando pra ver se ela ia parar ou continuar. Mas ela era bobinha demais, continuou andando, achando que a água tbm era feita de chão... kkkkkkk por pouco não foi a primeira cachorra a andar sobre as águas, uma filha de Jesus né? Mas ela afundou, e descobriu que sabia nadar, ficou pendurada na borda por pouco tempo pois logo corri pra socorrer. Ela ficou sem graça, disfarçou e saiu com toda sua pose de madame.
Dali pra frente, meus pais começaram a brigar muito. Por duas vezes chegaram a separar, por incontáveis vezes se agrediram, e entre a tensão de esconder cada objeto pontiagudo da casa com minha irmã (que eu amo mais do que tudo nessa vida), e a tristeza de não ter paz em casa, só me restava chorar. Eu ia pro quintal, sentava na beira da piscina, e chorava, com a Feia colocando sua cabeça no meu colo, e a Phoebe no meu ombro, até que eu parasse de chorar ou desabafar meus problemas. Elas não saiam enquanto eu não ficava bem.
E por anos isso se repetiu, todas as vezes em que eu precisei chorar, escondendo minha depressão, minhas dores. Elas sempre foram as únicas a saberem tudo sobre mim.
Mas o tempo passou... A Phoebe herdou uma doença na pele, de seus pais, e depois de muito tempo sofrendo, morreu lutando contra a morte que a assustou toda a madrugada. Aos 8 anos, minha princesinha morreu. E com ela morreu parte de mim. Só a Feia entendeu a dimensão daquela dor. E assim como eu, a Feia ficou deprimida. Não levantava mais, não comia. Nem mesmo o Marley, filhote que minha irmã havia comprado para levar quando casasse conseguiu animá-la. Algo precisava ser feito, levei minha loirinha à veterinária, e seguindo suas recomendações, mudei toda sua rotina, passeei com ela na rua, mudei seu canto de dormir, deixei ela passar mais tempo dentro de casa, enfim, me consolei enquanto cuidava da minha velhinha.
Ela superou bem a perda da sua filha gigante. Eu demorei, mas me curei daquela dor.
Passou o tempo, a Feia, já velha, foi demonstrando que estava ficando surda. Eu chamava seu nome, ela só ouvia se eu gritasse. Ela se assustava qnd eu chegava do nada. Tão linda.
Passamos os últimos 1 ano e meio juntos. Todos os dias eu percebia novos sinais de sua velhice, sua visão ja estava embaçando, seu corpinho havia mudado, estava bem de velhinha mesmo, surdinha. Mas continuava me olhando como me olhava lá atrás, quando eu tinha 11 anos.
As vezes eu corria no quintal só pra beijá-la. Era só eu fazer o bico q ela me beijava. Ela nunca foi esperta pra dar a patinha ou deitar seguindo comandos. Mas uma coisa nunca falhou, nosso beijinho. Ô MEU DEUS... Que saudades que eu vou sentir.
Minha companheira de churrasco, de segredos, de choro, de risadas, de lambidas, de beijinhos, de abraços.
Eu sabia que ela ia partir. Então, desde a morte da Phoebe, eu passei a dizer pra ela quase todos os dias o quanto eu a amava, eu chegava em casa todos os dias, e ela vinha, mesmo que com dificuldade as vezes por causa das dores da idade, ela vinha me receber, e eu agarrava sua cabecinha tão pequena, e beijava seu focinho, e por alguns instantes, o tempo parava, todos os dias. E eu sempre soube disso. Todas as noites eu olhava no quintal pra ver se ela estava bem. Ate a noite de ontem, ela estava lá.
Há 5 dias, no dia 15/4/2012, eu percebi que ela não levantava, e que estava deitada numa posição diferente da de costume, então ajudei ela a levantar como fazia as vezes. Mas suas patas traseiras estavam mortinhas. Eu me apavorei, gritei minha mãe e deitei ela novamente. Corri pro meu quarto e chorei diante de Deus. Implorei que ele não deixasse ela definhar daquela forma, implorei chorando tanto que ele ajudasse ela a levantar, mesmo que ela tivesse que morrer, que morresse sem sofrer. E milagrosamente, a Feia naquele mesmo dia voltou a andar, comeu, passeou o quintal inteiro, e deitou-se para dormir. No dia seguinte ela andou menos, mas ainda andou sozinha.
Na terça eu tava na faculdade de manhã, havia dormido na casa do meu amigo, senti uma vontade desesperadora de voltar pra casa pra cuidar dela. E assim o fiz. Ela ja tava mais fraquinha... Andou bem menos, quase não comeu e não bebeu. Passei a dar soro caseiro na seringa, e fiz de tudo q ela gostava pra ela comer.
Ontem, quarta-feira, eu acordei, fiz uma comidinha bem gostosa pra ela, ela se levantou, comeu e caiu. Não se levantou mais. Meu coração quase parou, estavamos apenas o Marley, a Feia e eu. O Marley, tadinho, que cachorro amoroso, colado na Feia o tempo todo cuidando dela, limpando a piriquita dela quando ela se mijava, animando ela qnd ela ficava mto triste, ele é um grande amigo. Mas aquele momento era somente meu e dela. Eu me deitei no chão do lado dela, fiquei olhando em seus olhos e comecei a dizer pra ela o quanto eu a amava. Ah Deus, como eu chorei ali. No meu coração, ouvi o Senhor me dizer: "você tem esse tempo pra se despedir dela do jeito que você sempre quis". E eu chorei, choreeei. Abracei ela, beijei ela, fiquei ali com ela e ela ali comigo. A minha princesinha, minha melhor amiga, minha mãe cachorra, ia morrer e eu não poderia fazer mais nada. Então, meus pais chegaram em casa, eu corri pra faculdade, e voltei imediatamente.
Eu tinha que dormir na casa do meu amigo novamente, pois hoje teria uma prova num horário mais cedo que o comum. Mas meu coração tinha plena certeza de que eu precisava voltar pra ficar com a Feia hoje.
Hoje eu acordei mais cedo, corri no quintal, lá estava ela, caída como se tivesse tentado andar mas não conseguiu.. Ofegante, olhando fixamente para o nada. Liguei pra minha mãe, ela ligou para a veterinária, e eu corri pra clínica. Não parei de chorar desde então.
Chegando lá, minha Feinha foi colocada num canil, e colocaram o soro nela. Alguns remedios foram dados pra amenizar a dor e a falta de ar. Mas ela não melhorava. Vez por outra ela se esticava inteira e puxava o ar com tanta dificuldade que eu sabia que estava chegando o fim. Abracei ela, e comecei a chorar muito, meu amorzinho ia morrer. Que dor. Que desespero. Na semana passada eu tirei uma foto com ela e prometi pra ela, que ficaria do lado dela até o ultimo minuto da vida dela. E assim eu fiz. Hoje lembrei a ela dessa promessa e lhe disse:
"Feinha, eu to aqui. Não precisa ter medo, vai tudo acabar. Eu vou morrer de saudades de você meu amorzinho. A vida sem você vai ser completamente diferente, mas eu sei que você precisa voltar pra Deus. Deixa ele te levar, e fica tranquila, eu vou ficar bem. Eu te amo muito, eu tive muita sorte de ser seu dono, seu amigo. Por mim você veria meus filhos, brincaria com eles, mas só a Mary teve essa sorte, então eu já to feliz. Obrigado por tudo Feia, por todas as vezes em que você esteve do meu lado. Pode ir meu amor."
E eu chorei... uma dor tão grande tomou conta do meu coração. Eu sabia que seria hoje.
Então, eu orei e falei pra Deus:
"Deus, quando a Phoebe morreu eu não reagi muito bem, mas agora vai ser diferente, pois o Senhor atendeu o meu pedido e tá deixando ela partir com dignidade. Sem dor, sem sofrimento, sem morrer aos poucos. Se for levar ela hoje Senhor, num deixa ela agonizar não, num deixa ela sofrer, num deixa ela ficar com medo. Pega e leva, ela é tua e eu to preparado pra te devolver. Já me disseram que no céu não tem cachorro, mas se existe um galardão, um prêmio ao servo fiel, eu te prometo ser fiel, e te peço que meu prêmio seja ter ela e a Phoebe de volta na eternidade. Abre uma excessão pra mim Senhor, por favor. Mas de qualquer forma, eu sei que o Senhor é bom, e que o Senhor está cuidado dela. Por favor Espírito Santo, me abrace bem forte quando acontecer, eu to com muito medo."
E assim fiquei ali, olhando pra ela, fazendo carinho no seu corpinho com tanta dificuldade pra respirar.
Mas do nada, ela melhorou um pouquinho, e eu senti no meu coração que eu deveria vir em casa almoçar, pois eu não comeria nada depois. E eu vim. Comi, e voltei.
Quando cheguei lá a médica queria conversar comigo, e veio dizendo que ela tava com falência dos rins, e que sendo bem sincera, ela não sabia se a Feia sobreviveria até amanhã, e então, ela me perguntou se eu já havia pensado na possibilidade da eutanásia para amenizar a dor e o sofrimento da minha princesinha.
Ahhhh, eu fiquei desesperado. Comecei a chorar muito, não podia fazer uma escolha daquelas. Eutanásia seria o mesmo que matá-la, não fazer isso, seria admitir sua dor e sofrimento. Meu Deus, como eu poderia fazer uma escolha daquelas, sozinho, sem meus pais, sem minha irmã. Então, decidimos ir olhar como ela estava. Eu cheguei chorando, a doutora não disse nada. Passei a mão nela, e chorei alto. A doutora disse que ela tava com muitas dores abdominais, que só de passar a mão ela sentia, e que a Feia estava agoniada por me ouvir e não conseguir reagir, e então perguntou novamente se eu queria decidir. Eu chorei mais e mais forte.
E então, a Feia me ouviu, olhou no fundo dos meus olhos, e se cagou. Imediatamente meu coração disparou, e foi então que ela me olhou fundo nos olhos novamente, podendo tocar a minha alma, respirou fundo, se esticou inteirinha, e lentamente relaxou, se entregando aos braços da morte.
A doutora começou a chorar e disse: "Ela só estava esperando você chegar. Aconteceu."
MEU DEEEEUUUUSSSSS... Ela morreu ali, esperou apenas pra se despedir de mim, e morreu.
Eu entrei em pânico, comecei a tremer, dei um beijinho em seu focinho pela ultima vez, e me incolhi no chão chorando muito. Tentaram me acalmar, mas em vão.
Pedi que a doutora avisasse a minha mãe, pois eu não tinha condições de falar. E ela o fez. Pouco tempo depois falei eu mesmo com minha mãe. Ah como eu queria ela ali comigo. Eu me senti tão sozinho. Pela primeira vez na vida, algo muito forte veio sobre mim e eu não tinha Feia do meu lado. Que dor. Que desespero. Que tristeza.
A eternidade passou para a minha melhor amiga. E infelizmente hoje, eu precisei me despedir da cachorra mais humana que eu já conheci nessa vida. Eu tenho muitos amigos, tenho uma família incrível, tenho um cachorro amável, mas a Feia vai me fazer muita falta. Éramos como um só. E agora, pra sempre, vou ter que aprender a viver sem um grande pedaço de mim.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Adiciona Vida à vida

Minha vida de volta

Depois de mais de um ano, resolvi voltar a escrever...
Muita coisa aconteceu desde a morte da Phoebe, muita coisa mesmo. Minha própria vida morreu, não pela morte dela, mas por escolhas erradas que tomei ao longo desse um ano.

Algumas vezes, a melhor opção ainda não é a opção correta.
Em outras, aquilo que lógico, óbvio, inevitável, na realidade não é nada daquilo. Nossos olhos enganam nosso coração já naturalmente enganoso. Nossa mente começa a sabotar-nos, e quando percebemos, estamos muito fundo num poço escuro, frio, solitário e desesperador.

Mas aprendi que não existe lugar longe demais para que Deus não possa chegar até lá. Poço fundo demais para que Deus não possa nos alcançar. Dor intensa demais para que Deus não possa nos curar. Nada é impossível para aqueLe que nos ama mais do que qualquer outra coisa.

Este post não é uma grande obra. É apenas uma forma de gritar pro mundo ouvir:
EU QUERO A MINHA VIDA DE VOLTA!

E eu sei, porque tenho experimentado isso, que Deus dia após dia, tem adicionado sua própria vida na minha vida. Me fazendo perceber um novo viver onde meus sonhos por maiores que sejam, são realizáveis. Onde eu sou capaz de acreditar na esperança de um futuro!

Há esperança! Há vida! Há conserto para cada coração quebrado por acidentes de percurso nas estradas dessa vida desajeitada.

"Deus estende suas mãos
E levanta do chão
Aquele que não tem condições de viver
Deus toca mais uma vez
Deus adiciona vida à vida dos filhos Seus."
Adiciona Vida à vida - Paulo Alberto.

domingo, 14 de novembro de 2010

A eternidade passou pra minha princesinha

Minha Princesinha...

14/11/2010.
Escrevo no exato momento em que a dor dilacera minha alma.
Minha princesinha Phoebe Fallangie Buffay, uma linda Dog Alemã, arlequim, de 08 anos, foi tragada pelos braços da morte.

Há oito anos escolhemos a Phoebe como nossa nova filha. Aqui em casa nossos bichos são como família mesmo, são parte de nós, de nossa rotina, de nosso grande amor dedicado. E em abril de 2002 escolhemos a Phoebe entre outros 13 filhotinhos na casa do meu tio Riston.
Ela era a maior de todos eles, a mais bonita e a mais esperta. Logo vi que seu nome seria Phoebe, como a espivitada personagem do seriado Friends.
Ela cresceu, ficou tão grande quanto um cavalo jovem. Se tornou juntamente com a Feia, a princesa mais velha, a alegria da casa. E por oito anos, tivemos a sorte de viver com nossa bichinha.
Seus olhinhos sempre intensos, pareciam falar o que sua boca canina não era capaz de pronunciar. Seu jeito passional era a coisa mais linda do mundo. Qualquer viagem que fizessemos, fazia Phoebe adoecer de saudades, ou de raiva por tê-la deixado... ela era muito apegada a cada um de nós.

Mas os anos foram se passando. E cada ano era um aviso de que a característica principal da raça dela não tardaria em demonstrar-se real: UM CÃO DOG ALEMÃO VIVE APENAS ENTRE 08 E 12 ANOS. Cada ano era como um novo punhal em meu peito, avisando que mais um ano tinha se passado...

No final, do início deste ano pra ca, minha princesinha ficou tão frágil, tão magra, tão doente... Ai meu Deus... Tá sendo um ano difícil demais. Seus oito anos lhe custaram a vida. Toda sua alegria excessiva de um ano pra cá, se tornou numa difícil velhice. A idade não foi gentil com minha princesinha. Muito pelo contrário, a idade lhe trouxe doenças hereditárias, como a tal sarna demodécica, que roubou todos os seus lindos pêlos, e grande parte de sua pele rosada. Além de ter-lhe roubado a alegria, a disposição, e agora, por último, o hapetite.

Só Deus sabe como meu coração está em pedaços enquanto escrevo sobre um dos meus tesouros. Minha família, incluindo a Phoebe e a Feia, são o meu maior bem nesta vida. Nada se compara ao amor que sinto por cada um deles. E nada nesta vida, nada, absolutamente nada, pode explicar o que eu sinto ao perder um membro de nossa família. Nada que se faça é capaz de amenizar a dor que eu estou sentindo.

Nunca mais poderei gritar: "Phoebe, vem comer pãozinho neném..."
Nunca mais terei sua cabeça quase do tamanho da minha, se enfiando entre minhas pernas pra me fazer carinho e pedir carinho...
Nunca mais poderei abraçar aquele pescoção longo, lindo, beijando seu rostinho, dizendo o quanto eu a amo.
Nunca mais. Tudo o que tenho hoje, é o nunca mais. Nunca mais chamarei seu nome e virei seu lindo corpinho de cavalo vindo em minha direção. Oh Deus... É muita dor... É muito difícil querer ir ao quintal sabendo que não a verei. É muito difícil fechar os olhos sem que um filme passe pela minha cabeça, desde o primeiro momento em que a escolhemos (ou talvez, em que tenhamos sido escolhidos por ela, no momento em que ela foi a mais bagunceira dos 14 filhotinhos). É muito difícil imaginar como a Feia vai viver sem a filha adotiva dela. É dilacerante pensar que a Feia pode adoecer de saudades, e morrer.

É impossível conseguir dizer adeus.

Dói pensar que acabou assim. Tão cedo. Tão dolorosamente.

Ontem, quando cheguei de um trabalho que fiz, tive certeza de que seria a ultima vez que eu e ela estaríamos ali juntos. Fui até seu cantinho, percebi que pela primeira vez em oito anos, ela já não conseguia ficar em pé... e ainda assim ela tentava, me olhando com aquele olhinho de medo. Agarrei seu pescoço aos prantos, implorando para que Deus fizesse aquilo passar. E ali eu fiquei com ela. Apavorado por saber que era nosso último abraço...

Tentei dar comida pra ela... ela não quis... Dei o suplemento vitamínico que a doutora receitou... ela bebeu forçada pela pressão da seringa. Ela me olhava como quem estivesse com muito medo. E Deus dizia em meu coração que hoje o espírito da morte passaria em nossa casa. Algo apavorante, sinistro, triste e cruel se instalou em mim... E eu não poderia ficar ao lado dela, pois sabia que não aguentaria vê-la morrer... Foi como morrer um pouquinho, deixar ela ali. Na verdade, foi exatamente o que aconteceu. Parte de mim morreu ali, ontem, vendo minha preciosa princesinha se despedir de mim.

Me tranquei em meu quarto, com a certeza de que ali do lado, a morte esperava o momento certo para devolver a Deus, a minha bichinha. Orei, gritei, chorei... Adormeci aos prantos. E acordei com a noticia: "A Phoebe está morrendo!"
Fiquei em estado de choque. Saí do meu quarto, vi meu pai ao lado dela, vi a Phoebe tremendo no chão lutando pra respirar. QUE VONTADE DE GRITAR! QUE VONTADE DE PARAR O MUNDO PRA SALVAR MINHA CACHORRINHA!
Meu pai nos deu uma ordem para que saíssemos dali, enquanto ele acariciava nossa princesinha, acompanhando ela em seus ultimos suspiros. Só de saber que ela não estava sozinha naquele pavor, algo se aquietou em mim. Mas ainda doía muito. Principalmente por saber que não teríamos outra escolha: tínhamos que chamar a veterinária para fazer a eutanásia.

MEU DEUS!!! Quando em minha vida eu imaginei que chamaria alguem para acabar com o sofrimento da Phoebinha adiantando sua morte.

A doutora chegou, perguntamos desesperados, aos prantos, se ela poderia salvar a Phoebe. Mas ela disse que ela ja estava com o sistema neurológico altamente prejudicado, que a partir dali, seria convulsão atrás de convulsão, fora o sufocamento que já estava lhe consumindo. Aplicar a injeção era a nossa última chance de demonstrar amor. E assim foi feito. Em silêncio a doutora entrou, e em silêncio ela saiu... Nossa dor era grande demais para que algo fosse dito.

Agora estou aqui. Com meu coração perto de um colapso. Já tomei calmante, mas não ajudou. Somente o Espírito Santo pode agora amenizar a minha dor. Preciso cuidar da Feia, preciso estar forte para aguentar a idéia de que a Feia, apesar de ser vira-lata (que vive muitos anos), também está muito velha. Preciso entender que essas coisas acontecem. E me consolar por saber que um dia, até mesmo eu irei para os braços do Senhor.

Minha princesinha se foi. E tudo o que me resta é amar a Feia e o Marley. Até que a eternidade passe para eles também.