Por tão pouco tempo minha bebezinha esteve nessa casa, e nesse instante ao receber a notícia de que sua vida teve fim, tudo parece fora do lugar.
Ha dois meses e meio estávamos tão preocupados com a solidão do Marley que decidimos ter uma fêmea pra acompanhá-lo. Compramos a Hebe pra ser a esposa dele.
Hebe Camargo foi o nome que eu escolhi pra ela. Linda, meiga, tão frágil. Já chegou dona do nosso amor. Nos conquistou no primeiro olhar.
Eu particularmente me apeguei no mesmo instante em que a vi. A adotei como minha filha. Dei a Hebe o meu amor, meu carinho, meu tempo, minha atenção. Tratei essa filhotinha como meu bebê. Minhas redes sociais mais parecem pertencer a ela, por tantas fotos e vídeos. Meu celular poderia se chamar Hebe-2. Eu enfim havia me apegado sem medo, desde que a Feia se foi.
Logo ela começou a crescer, aprendeu a morder, corria atrás de mim e de qualquer coisa que se movesse. Morria de medo do som da vassoura caindo no chão. Era um bebezinho. Minha bebezinha linda.
Até que essa semana, uma doença maldita chamada Cinomose entrou em nossa história. Eu na Bahia e ela aqui sofrendo os horrores dessa tortura.
Meu Deus... como eu entrei em desespero quando soube. Sai correndo pela cidade, literalmente correndo, chorando, gritando a dor da minha alma. Meu bebê estava sofrendo e eu não estava em casa pra cuidar dela. Desde então, mesmo que eu estivesse longe, minha mente e coração estavam aqui em casa voltados pra ela.
Ontem cheguei em casa, apavorado por vê-la em coma, medicada, tendo convulsões atrás de convulsões. Tudo perdeu o sentido. Ela era apenas um bebê sofrendo como nunca imaginei que um bebê pudesse sofrer. Ela era o meu bebê sofrendo como eu nunca imaginei.
Tive que silenciar meu choro, achar forças em Deus para ficar do lado dela e cuidar com amor de sua vidinha debilitada. Me fiz de forte, encontrei esperanças numa avalanche de desespero. Minha mãe e eu só tínhamos uma opção: lutar pela vida da Hebe. Ainda que custasse nosso dinheiro, nosso tempo, nosso esforço. Lutariamos por ela o tempo todo.
Mas todo o tempo só durou mais algumas horas. Ha poucos minutos minha bebezinha se foi. Levando consigo parte do meu coração. Deixando no meu peito um vazio tão grande que eu nem sabia mais que existia. Não chorei até esse desabafo. Não assimilei ainda o nunca mais. Não parece real que tenha sido o fim.
Deus me deu e Ele mesmo tomou.
Deus guiou nossas vidas até a Hebe e decidiu que seria apenas até hoje. E apesar de toda a dor e desesperança que sinto, BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR. Sua bondade se prova quando encerra o sofrimento de alguém tão frágil. Tenho certeza que em Seus braços ela agora respira segura. Longe da dor, longe do medo, longe da aflição de uma doença que roubou de mim a minha filhotinha. A minha bebezinha.
Eu não sei ainda o que estou sentindo.
Sei que dói. Sei que tem um rombo no meu coração. Sei que tudo parece sem cor. A alegria está triste. O som emudeceu. A eternidade levou para Si mais um dos meus tesouros. E eu vou ter que aprender a seguir em frente.
Por tão pouco tempo a Hebe esteve comigo. Ainda assim, esperarei ate meu último suspiro pra saber se os cachorros vão pro céu, pois se forem, lá eu terei a chance de reencontrar a Phoebe, a Feia e a Hebe. E aí sim, os pedaços do meu coração voltarão a seu lugar e eu poderei sorrir seguro sabendo que nunca mais viverei a dor de um Adeus tão triste.
Te amo bebezinha. Isso tudo ainda não parece real. :(