
Consolai... Consolai...
Quem se importa quando a gente sofre?
Quem se importa quando a gente sofre?
"Ec. 4: 1-3 1- Vi ainda todas as opressões que se fazem debaixo do sol: vi as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os consolasse; vi a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os oprimidos. 2- Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais do que os que ainda vivem; 3 porém mais que uns e outros tenho por feliz aquele que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol."
Salomão estava indignado. Seus olhos contemplavam ha milhares de anos atrás algo que lhe trazia uma inquietação à alma. Os justos eram mal tratados. Os maus não eram castigados. Não havia justiça. Não havia quem se importasse, não havia um consolador.
Certamente a tristeza bateu-lhe à porta do coração. Prova disso é a grande carga emocional que suas palavras trazem nos três primeiros versículos do capítulo quatro do livro de Eclesiastes. Para ele, a morte era melhor do que a vida. Não nascer era ainda melhor do que morrer. Existir em seu tempo, era aos seus olhos, o mesmo que um castigo. E no caso dos que sofriam sem razão, um castigo sem culpa. Uma condenação sem fundamentos. Existir, nascer, era estar condenado a viver sem alguém que pudesse intervir no sofrimento dos oprimidos. Era estar disposto a viver em lágrimas. Por isso, melhor seria estar morto. Melhor ainda, seria não ter nascido. Há um drama real em suas palavras.
O tempo passou, e a mesma cena tornou-se contemporânea. Justos sofrem nas mãos dos impios. A impiedade prevalece sobre a bondade. Vimos em nossas aulas de história, povos sendo subjugados, nações sendo tratadas como lixo, crianças escravizadas porque nasceram negras, mães condenadas a verem seus filhos vendidos aos estrangeiros que os tratavam como animais sem sentimentos. Brancos que se julgavam superiores, queusavam seu poder financeiro para tratar os negros como cães.
Vimos um único homem matar milhares de judeus inocentes, acabando com a vida de inúmeras famílias, destruindo pra sempre o coração de quem ficou condenado a sobreviver. Vimos países entrarem em guerra por seus motivos políticos imbecís, matando milhares de crianças, idosos, familias inteiras. Vimos a guerra acabar, e as minas plantadas por covardes que se diziam homens, mutilar pessoas que tinham toda uma vida pela frente.
Ainda hoje, a cada dia vemos notícias piores. Pais que jogam seus filhos pela janela, filhos que matam seus pais enquanto eles dormem, netos que matam seus avós a marteladas, jovens que arrastam uma criança inocente por 6 quilômetros presa a um cinto de segurança, tendo seu pequeno cérebro estourado em meio ao asfalto. Infelizmente ainda vemos a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os oprimidos.
Em muitos casos, nós não apenas VEMOS, mas SOMOS VISTOS. Pois não estamos livres da violência, vivemos cada dia expostos a maldade dos loucos que saboreiam o sofrimento alheio. Somos abusados em nossas emoções, violentados em nossos corpos, roubados, mal tratados, ignorados enquanto seres pensantes com sentimentos reais.
Onde está o consolo?
Ao ler IISm. 13:1-20, vemos a história de Tamar e Amnom. Onde Amnom, filho do Rei Davi, possuido por uma paixão doentia por sua meia-irmã Tamar, segue o conselho tenebroso de seu primo e amigo Jonadabe para enganar seu pai, induzindo-o a ordenar que Tamar fosse até sua recâmara, dar-lhe de comer algo preparado por ela mesma diante dos olhos de Amnom, fingindo-se de doente. E assim foi feito, Tamar, enganada pela inocência de seu pai, o Rei Davi, foi até os aposentos de Amnom e fez-lhe dois bolos diante de seus olhos, e quando deu-lhe de comer, acreditando que ele estava seriamente adoentado, viu seu irmão expulsar todos os outros do local, e assim, foi forçada a deitar-se com seu irmão, sendo brutalmente estuprada. Enganada por sua própria família.
Amnom, após conseguir seu tão desejado ato sexual, teve nojo de Tamar, nojo maior do que o amor que um dia sentiu por ela, e justamente por este nojo, expulsou-a de sua recâmara, lançado Tamar fora, batendo-lhe a porta por detrás dela, forçando sua irmã a ser exposta a todo tipo de humilhação, pois suas vestes reais que lhe permitiam ser vista como uma donzela, filha do rei, virgem, havia sido rasgada. Tamar voltou em seu caminho com cinzas em sua cabeça, e panos de saco como vestes, humilhada e ferida, pra sempre.
Seu outro irmão ao saber do que aconteceu, ao invés de ajudá-la, aconselhou Tamar a não falar nada sobre o assunto, pois Amnom era seu irmão. E mesmo dois anos depois quando Absalão mata Amnom, vemos claramente que não foi para vingar a honra de sua irmã, mas para vingar o seu orgulho ferido de homem da casa.
Davi, o rei, o pai de Tamar, Amnom e Absalão, soube de todo o caso, e nada fez em favor de Tamar. Tamar passou o resto de seus dias, solitária e triste na casa de Absalão. Condenada a dor da tristeza, da solidão e da injustiça. Tamar não teve quem a consolasse.
Nós também somos abusados. Enganados por nossa própria família, feridos por nossa igreja, machucados por mãos que nunca imagináríamos. Feridos mortalmente por uma violência que só quem a sofre é capaz de entender. E, infelizmente, por muitas vezes nos calamos, silenciando a dor de um coração que precisa tanto desabafar. Em alguns casos, por imaginar que o inimigo é maior e mais poderoso. Em outros, por ter vivido uma decepção tão grande, que nos deixa sem reação. Mas é real, ainda hoje vivemos como Tamar, feridos, enganados, solitários e tristes. Vítimas da opressão. SEM NINGUÉM QUE NOS CONSOLE. Afinal, quem se importa quando nosso coração é ferido? Quem se importa quando alguém em quem confiávamos trái a nossa confiança? Quem se importa quando palavras não podem mudar a dor, e quando a boa intenção não é capaz de superar o trauma? Quem se importa a ponto de insistir até que haja a cura? Salomão tinha uma certeza a esse respeito: Não ha ninguém que os console!
Mas alguém viu tudo isso.
-Alguém viu cada vez que um negro foi vendido como escravo pelo simples fato de ter nascido negro.
-Alguém viu toda a dor que Hitler causou ao planeta Terra.
-Alguém viu o coração de quem chora até hoje morte do menino João Hélio, da pequena Isabela Nardoni, do casal Rischtofen, e tantos outros.
-Alguém viu a tristeza e a solidão de Tamar.
-Alguém viu o meu coração enquanto eu vivia em depressão.
-Alguém viu o seu coração, a cada vez que a dor bateu à sua porta.
Alguém se importou com a nossa dor, e resolveu intervir. Uma promessa foi feita, por aquele que nunca falhou:
Is. 40:1 "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus." Is. 53:4-5 "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados."
A promessa de Deus nos trouxe uma resposta. Alguém viria mudar a história de sofrimento. Não apenas como um grande amigo que oferece seus braços acolhedores em momentos de dor. Mas como um Pai amoroso que dá a sua própria vida para poupar a de seu filho. Deus nos prometeu um consolador-salvador. Um consolador que entenderia nossa dor, e saberia exatamente o que fazer. Um salvador que nos amaria tanto, que não saberia viver caso não vivêssemos ao seu lado, um salvador tão apaixonado que iria até a morte para nos salvar.
Jo. 1: 1-2; 10-14 "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."
Nasce Jesus! Experimentando toda a dor que Salomão viu sobre a Terra. Jesus nasce num conexto de fuga, onde seus pais carnais saem da cidade para poupar a vida do filho de Deus. E cresce como um homem pobre, filho de marceneiro, que logo se torna um marceneiro também. Provavelmente experimentando todas as privações que só os pobrem conhecem. Nasceu um salvador que veio da riqueza dos céus, ser um pobre na Terra. Um consolador que sabe o que é ter muito e ter pouco, alguém com conhecimento de causa. Somente alguém assim se importaria com a dor de um pecador, com a cegueira de um mendigo, com o coração ferido de um jovem carioca.
O capítulo 4 de João conta a história da mulher de Samaria, uma mulher sofrida. Carente de alguém que lhe trouxesse consolo. Uma mulher que buscou no amor de homens a solução para a dor que mutilava seu peito, e não encontrou. Quatro maridos lhe roubaram a alegria, e naquele momento, havia um quinto homem que nem mesmo seu marido era. Era apenas mais uma tentativa de parar de sofrer, de acabar com a solidão.
Jesus decidiu encontrá-la. E na beira do poço de Jacó, esta mulher experimentou de uma água que não nascia de um simples poço, mas que a partir daquele encontro, jorraria de dentro dela mesma. Uma água com o poder de curar a ferida mais profunda. Uma água tão deliciosa, que nunca mais lhe permitiria sentir sede. Algo tão intenso, que fez ela largar seu cântaro ali mesmo, pois ela não precisava mais ir ao poço todos os dias buscar a companhia de alguém. Águas purificadoras jorravam de seu interior, e ela tinha uma certeza, o resto do mundo precisava conhecer estas águas,precisava conhecer este homem, JESUS CRISTO. Ela nunca mais foi a mesma!
No capítulo seguinte, vemos a história do homem no tanque de Betesda. Nos dias onde os Judeus festejavam todos juntos os seus costumes, Jesus preferiu estar com os oprimidos. Enquanto o mundo lá fora festejava, Jesus circulava entre os que gemiam de dor, entre os que fediam por suas feridas antigas. Jesus escolheu ver de perto a situação daqueles que não tinham mais esperança. Todos os anos, um anjo banhava-se nas águas do tanque, agintando-as, e o primeiro que descesse às águas depois deste evento, seria curado de qualquer enfermidade. Por isso, muitos doentes passavam seus dias ali, esperando o mover das águas, para que seu último suspiro de esperança tivesse sucesso.Jesus foi até eles, e lhes mostrou que a esperança que Ele traz, contraria até mesmo o impossível.
Ele curou um homem que estava doente ha 38 anos. E que durante todo esse tempo, esteve como Tamar, solitário e triste, visto que seu discurso para Cristo inclui uma declaração que deixa claro que ninguém se importava com ele o suficiente para apenas uma vez em sua vida colocá-lo nas águas antes de outros. Ele não tinha ninguém. Ha 38 anos era apenas ele e suas dores, externas e internas. Somente ele sabia o que era viver entre moribundos, sonhando com o impossível dia em que sua força seria reestabelecida, e seu coração perdoado. Sonhando... Sonhando tão alto, que tocou o coração de Jesus, que num belo sábado, contrariando as expectativas dos judeus, foi até lá e curou o paralítico, perdoando seus pecados, mudando eternamente a história daquela triste alma.
JESUS PENSOU EM NÓS!
Quem lê os evangelhos, percebe a cada capítulo, a paixão de Cristo pelos seres humanos. No princípio, Jesus estava com Deus na criação do mundo. Agora, Jesus estava no mundo ao qual criara. Intervindo pessoalmente na vida de seus filhos. Mesmo os filhos pecadores. Prostitutas eramperdoadas, ladrões eram destinados ao céu, cobradores de impostos fraudulentos eram tratados como dignos do amor de Deus, e nós, pessoas que só nasceriam mais de dois mil anos depois, éramos lembrados por Ele como alvo do seu amor eterno.
Se havia um preço a ser pago pela salvação de cada homem e mulher deste planeta, Jesus decidiu pagar este preço, se entregando na cruz por nossos pecados, cumprindo a promessa descrita em Isaías 53. Se todo pecador devia ser condenado à morte, Jesus fez-se como um de nós, e morreu no lugar de cada um nós, dando a mim e a você o direito de sermos chamados Filhos de Deus.
Mas após a Cruz, Jesus voltaria aos céus, até o grande dia em que Ele voltará para nos resgatar para si mesmo. E pensando em nós, que estaríamos aqui neste mundo apavorante, Jesus nos deixou algo que ele tinha de mais precioso, seu Espírito Santo, que nos acompanha até os dias de hoje, sendo, como Jesus mesmo disse ha dois mil anos, nosso Consolador, nosso melhor amigo.
Jo. 14: 16-18 "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós."
Salomão deixou um questionamento: quem há de nos consolar?
Jesus trouxe a resposta: O Espírito Santo! O Espírito Santo nos consolará para sempre!
Ele é o nosso consolador. Jesus agora vive em nós. E nós neste dia que chamamos de hoje, podemos desfrutar da promessa feita a Isaías. Da promessa feita por Jesus. O Espiríto Santo nos consolará. Suas águas fluirão em nosso interior adicionando vida à a nossa vida. Seu vento renovará nossas folhas nas estações mais tristes dessa vida. E por causa do Seu eterno amor, nós finalmente podemos viver em paz. Não mais solitários e tristes. Mas habitando em família, seguros nos braços do nosso amado Pai.
Há consolo para nós! Aleluia!
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