domingo, 14 de novembro de 2010

A eternidade passou pra minha princesinha

Minha Princesinha...

14/11/2010.
Escrevo no exato momento em que a dor dilacera minha alma.
Minha princesinha Phoebe Fallangie Buffay, uma linda Dog Alemã, arlequim, de 08 anos, foi tragada pelos braços da morte.

Há oito anos escolhemos a Phoebe como nossa nova filha. Aqui em casa nossos bichos são como família mesmo, são parte de nós, de nossa rotina, de nosso grande amor dedicado. E em abril de 2002 escolhemos a Phoebe entre outros 13 filhotinhos na casa do meu tio Riston.
Ela era a maior de todos eles, a mais bonita e a mais esperta. Logo vi que seu nome seria Phoebe, como a espivitada personagem do seriado Friends.
Ela cresceu, ficou tão grande quanto um cavalo jovem. Se tornou juntamente com a Feia, a princesa mais velha, a alegria da casa. E por oito anos, tivemos a sorte de viver com nossa bichinha.
Seus olhinhos sempre intensos, pareciam falar o que sua boca canina não era capaz de pronunciar. Seu jeito passional era a coisa mais linda do mundo. Qualquer viagem que fizessemos, fazia Phoebe adoecer de saudades, ou de raiva por tê-la deixado... ela era muito apegada a cada um de nós.

Mas os anos foram se passando. E cada ano era um aviso de que a característica principal da raça dela não tardaria em demonstrar-se real: UM CÃO DOG ALEMÃO VIVE APENAS ENTRE 08 E 12 ANOS. Cada ano era como um novo punhal em meu peito, avisando que mais um ano tinha se passado...

No final, do início deste ano pra ca, minha princesinha ficou tão frágil, tão magra, tão doente... Ai meu Deus... Tá sendo um ano difícil demais. Seus oito anos lhe custaram a vida. Toda sua alegria excessiva de um ano pra cá, se tornou numa difícil velhice. A idade não foi gentil com minha princesinha. Muito pelo contrário, a idade lhe trouxe doenças hereditárias, como a tal sarna demodécica, que roubou todos os seus lindos pêlos, e grande parte de sua pele rosada. Além de ter-lhe roubado a alegria, a disposição, e agora, por último, o hapetite.

Só Deus sabe como meu coração está em pedaços enquanto escrevo sobre um dos meus tesouros. Minha família, incluindo a Phoebe e a Feia, são o meu maior bem nesta vida. Nada se compara ao amor que sinto por cada um deles. E nada nesta vida, nada, absolutamente nada, pode explicar o que eu sinto ao perder um membro de nossa família. Nada que se faça é capaz de amenizar a dor que eu estou sentindo.

Nunca mais poderei gritar: "Phoebe, vem comer pãozinho neném..."
Nunca mais terei sua cabeça quase do tamanho da minha, se enfiando entre minhas pernas pra me fazer carinho e pedir carinho...
Nunca mais poderei abraçar aquele pescoção longo, lindo, beijando seu rostinho, dizendo o quanto eu a amo.
Nunca mais. Tudo o que tenho hoje, é o nunca mais. Nunca mais chamarei seu nome e virei seu lindo corpinho de cavalo vindo em minha direção. Oh Deus... É muita dor... É muito difícil querer ir ao quintal sabendo que não a verei. É muito difícil fechar os olhos sem que um filme passe pela minha cabeça, desde o primeiro momento em que a escolhemos (ou talvez, em que tenhamos sido escolhidos por ela, no momento em que ela foi a mais bagunceira dos 14 filhotinhos). É muito difícil imaginar como a Feia vai viver sem a filha adotiva dela. É dilacerante pensar que a Feia pode adoecer de saudades, e morrer.

É impossível conseguir dizer adeus.

Dói pensar que acabou assim. Tão cedo. Tão dolorosamente.

Ontem, quando cheguei de um trabalho que fiz, tive certeza de que seria a ultima vez que eu e ela estaríamos ali juntos. Fui até seu cantinho, percebi que pela primeira vez em oito anos, ela já não conseguia ficar em pé... e ainda assim ela tentava, me olhando com aquele olhinho de medo. Agarrei seu pescoço aos prantos, implorando para que Deus fizesse aquilo passar. E ali eu fiquei com ela. Apavorado por saber que era nosso último abraço...

Tentei dar comida pra ela... ela não quis... Dei o suplemento vitamínico que a doutora receitou... ela bebeu forçada pela pressão da seringa. Ela me olhava como quem estivesse com muito medo. E Deus dizia em meu coração que hoje o espírito da morte passaria em nossa casa. Algo apavorante, sinistro, triste e cruel se instalou em mim... E eu não poderia ficar ao lado dela, pois sabia que não aguentaria vê-la morrer... Foi como morrer um pouquinho, deixar ela ali. Na verdade, foi exatamente o que aconteceu. Parte de mim morreu ali, ontem, vendo minha preciosa princesinha se despedir de mim.

Me tranquei em meu quarto, com a certeza de que ali do lado, a morte esperava o momento certo para devolver a Deus, a minha bichinha. Orei, gritei, chorei... Adormeci aos prantos. E acordei com a noticia: "A Phoebe está morrendo!"
Fiquei em estado de choque. Saí do meu quarto, vi meu pai ao lado dela, vi a Phoebe tremendo no chão lutando pra respirar. QUE VONTADE DE GRITAR! QUE VONTADE DE PARAR O MUNDO PRA SALVAR MINHA CACHORRINHA!
Meu pai nos deu uma ordem para que saíssemos dali, enquanto ele acariciava nossa princesinha, acompanhando ela em seus ultimos suspiros. Só de saber que ela não estava sozinha naquele pavor, algo se aquietou em mim. Mas ainda doía muito. Principalmente por saber que não teríamos outra escolha: tínhamos que chamar a veterinária para fazer a eutanásia.

MEU DEUS!!! Quando em minha vida eu imaginei que chamaria alguem para acabar com o sofrimento da Phoebinha adiantando sua morte.

A doutora chegou, perguntamos desesperados, aos prantos, se ela poderia salvar a Phoebe. Mas ela disse que ela ja estava com o sistema neurológico altamente prejudicado, que a partir dali, seria convulsão atrás de convulsão, fora o sufocamento que já estava lhe consumindo. Aplicar a injeção era a nossa última chance de demonstrar amor. E assim foi feito. Em silêncio a doutora entrou, e em silêncio ela saiu... Nossa dor era grande demais para que algo fosse dito.

Agora estou aqui. Com meu coração perto de um colapso. Já tomei calmante, mas não ajudou. Somente o Espírito Santo pode agora amenizar a minha dor. Preciso cuidar da Feia, preciso estar forte para aguentar a idéia de que a Feia, apesar de ser vira-lata (que vive muitos anos), também está muito velha. Preciso entender que essas coisas acontecem. E me consolar por saber que um dia, até mesmo eu irei para os braços do Senhor.

Minha princesinha se foi. E tudo o que me resta é amar a Feia e o Marley. Até que a eternidade passe para eles também.

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